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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Em um cenário hipotético, a prevalência de tuberculose em Parintins é de 38/100.000 habitantes com uma mortalidade por tuberculose de 3/100.000 habitantes. A prevalência de tuberculose em São Paulo é de 40/100.000 habitantes com uma mortalidade de 1,5/100.000 habitantes. Em relação ao risco de contaminação por tuberculose nas áreas, com base nestes dados, pode-se concluir que

Gabarito: A

A ideia central aqui é não cair na armadilha de usar prevalência como se ela fosse sinônimo de risco de adoecer. Prevalência mostra quantas pessoas estão com a doença em um dado momento, então ela mistura casos novos com a duração da doença. Se a pessoa vive mais tempo com tuberculose, a prevalência pode subir mesmo sem haver mais casos novos. Se os pacientes morrem mais cedo, a prevalência pode cair, mesmo com incidência alta. Por isso, para avaliar risco de contaminação ou de adoecimento, o indicador mais adequado é a incidência, porque ela mede os casos novos em um período. No enunciado, Parintins tem mortalidade maior por tuberculose do que São Paulo, o que sugere menor tempo de sobrevida dos doentes em Parintins. Isso pode reduzir a prevalência sem necessariamente significar menor transmissão ou menor risco de contrair a doença. Então, comparar apenas prevalência entre as cidades não permite concluir qual lugar tem maior risco de adquirir tuberculose. A diferença observada pode estar sendo influenciada pela duração da doença e pela mortalidade, e não só pela ocorrência de novos casos. Em epidemiologia, esse é um clássico: prevalência responde mais à duração; incidência responde mais ao risco. Assim, o gabarito A está correto porque reconhece que, para avaliar risco de contaminação, seria necessário conhecer a incidência. A mortalidade maior em Parintins pode fazer os casos durarem menos e “sumirem” mais rápido da prevalência, sem que isso signifique menor risco de pegar tuberculose.

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