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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Dos mecanismos listados a seguir, presentes na fisiopatologia da dor crônica, um não faz parte. Assinale-o.

Gabarito: E

A dor crônica não é só uma dor que "demora mais": ela costuma envolver uma verdadeira reprogramação do sistema nervoso. Em vez de um alarme simples e proporcional, o organismo passa a responder com hiperexcitabilidade, amplificação do sinal doloroso e menor freio inibitório. É por isso que aparecem fenômenos como sensibilização periférica, sensibilização central e manutenção da dor mesmo depois de o tecido já ter melhorado. Na fisiopatologia da dor crônica, alguns mecanismos são clássicos: aumento da atividade de canais de sódio nos neurônios aferentes, redução do freio exercido por neurotransmissores inibitórios como GABA e glicina, ativação da micróglia com liberação de citocinas e participação de quinases medulares como PKA, PKC e ERK, que ajudam a manter o neurônio em estado de "alerta máximo". Em resumo: a dor ganha volume e o sistema fica mais fácil de disparar. O item que não faz parte desse pacote é o aumento de neurotransmissores pelo sistema inibitório descendente. Esse sistema, quando funciona bem, tende a reduzir a transmissão da dor, principalmente por vias serotoninérgicas e noradrenérgicas, e não a intensificá-la. Então, se a alternativa descreve aumento de neurotransmissores por uma via que é, em regra, analgésica, ela está fora do mecanismo típico da dor crônica. A banca FGV costuma cobrar esse tema de forma bem conceitual, misturando mecanismos de sensibilização com vias moduladoras descendentes. O raciocínio é simples: o que mantém a dor crônica geralmente amplifica o sinal ou diminui a inibição; o que reforça a inibição descendente trabalha contra a dor, não a favor dela.

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