São indicações bem sedimentadas de radioterapia adjuvante, exceto:
- A)Paciente 48 anos com carcinoma tipo não especial submetida a quadrantectomia com margens livres e biopsia de linfonodo sentinela negativo
Correta: após quadrantectomia, a radioterapia adjuvante é indicação bem estabelecida, mesmo com margens livres e linfonodo sentinela negativo.
- B)Paciente 40 anos, com estadiamento clínico inicial T3N1M0 com resposta completa após quimioterapia neoadjuvante
Correta: tumor inicial T3N1M0 tratado com neoadjuvância e resposta completa ainda mantém indicação de radioterapia pelo alto risco locorregional do estágio inicial.
- C)Paciente 50 anos, com diagnóstico de carcinoma in situ submetida a quadrantectomia com margens livres.
Correta: no carcinoma in situ submetido à quadrantectomia, a radioterapia adjuvante é padrão para reduzir recidiva local.
- D)Paciente de 52 anos, com carcinoma in situ alto grau extenso, submetida a mastectomia com margens livres e biopsia de linfonodo sentinela negativo.
Errada: carcinoma in situ extenso tratado com mastectomia e margens livres, com sentinela negativo, em geral não tem indicação rotineira de radioterapia adjuvante.
- E)Paciente de 40 anos, com carcinoma sem outras especificações submetida à mastectomia com margens livres e biopsia de linfonodo sentinela com 2 de 3 linfonodos positivos.
Correta: linfonodos positivos após mastectomia configuram cenário clássico de maior risco locorregional, com indicação de radioterapia adjuvante.
Gabarito: D
A radioterapia adjuvante no câncer de mama existe, em regra, para reduzir recidiva local depois da cirurgia, especialmente após cirurgia conservadora e em situações de maior risco locorregional. Pense nela como a etapa que “varre o terreno” depois da retirada do tumor quando ainda pode sobrar doença microscópica. Em mama, isso é clássico após quadrantectomia, e também pode ser indicada depois de mastectomia quando há linfonodos positivos, tumor maior, margens comprometidas ou outros fatores de alto risco. Na cirurgia conservadora, a radioterapia costuma ser parte do tratamento padrão, mesmo com margens livres, porque a mama foi preservada e o risco de retorno local não é desprezível. Por isso, a alternativa A está dentro do esperado. Já em doença localmente avançada que respondeu à quimioterapia neoadjuvante, a decisão sobre radioterapia adjuvante leva em conta o estágio clínico inicial e o risco inicial de doença residual microscópica, então a alternativa B também descreve cenário clássico de indicação. No carcinoma in situ tratado com quadrantectomia, a radioterapia também é bem estabelecida, porque a cirurgia preserva a mama e a irradiação reduz recorrência ipsilateral. Agora, a pegadinha da letra D é o contrário: carcinoma in situ de alto grau extenso tratado com mastectomia e margens livres, com linfonodo sentinela negativo, em geral não tem indicação de radioterapia adjuvante. A mastectomia, quando completa e com margens livres, já elimina o sítio mamário onde o DCIS estava, e não há, nesse cenário descrito, fator que imponha RT rotineira. A letra E também aponta uma indicação bem clássica, porque linfonodo sentinela positivo após mastectomia sugere doença com risco locorregional maior, em que a radioterapia pós-operatória costuma ser considerada. Em prova, guarde a lógica: cirurgia conservadora quase sempre pede RT; mastectomia só entra na jogada se o risco subir bastante. Esse raciocínio é o que a banca costuma explorar.