Em um caso de Enterocolite necrosante com ar em veia porta, um recém-nascido está com 14 dias de vida, em ventilação mecânica e com NPT desde o nascimento. Iniciou um quadro de distensão abdominal há 12 horas. - Assinale a opção que apresenta o tratamento indicado para colestase associada à Nutrição Parenteral no caso acima.
- A)Iniciar nutrição enteral mínima.
Errada: nutrição enteral mínima ajuda a prevenir e tratar colestase, mas aqui a enterocolite necrosante impede esse passo no momento.
- B)Iniciar probióticos.
Errada: probióticos não tratam colestase associada à NPT e não são a conduta do quadro agudo descrito.
- C)Iniciar ácido ursodesoxicólico.
Errada: o ácido ursodesoxicólico pode ser adjuvante em colestase, mas não é a medida mais indicada nesta situação de NPT prolongada com intestino inviável.
- D)Iniciar fototerapia.
Errada: fototerapia age na hiperbilirrubinemia indireta, não na colestase por nutrição parenteral.
- E)Diminuir a oferta de lipídeos.
Certa: reduzir lipídeos da NPT diminui a sobrecarga hepática e é medida indicada na colestase associada à nutrição parenteral.
Gabarito: E
A colestase associada à nutrição parenteral (NPT) é uma complicação clássica do recém-nascido que fica muitos dias sem dieta enteral, especialmente se for prematuro, grave ou com sepse/enterocolite necrosante. Nessa situação, o fígado “reclama” da ausência de estímulo intestinal e do excesso de oferta parenteral, sobretudo de lipídios e de alguns componentes da NPT. O resultado pode ser aumento de bilirrubina direta e piora da função hepática. O tratamento é, em primeiro lugar, de suporte e prevenção de progressão. Sempre que possível, deve-se retomar nutrição enteral mínima, mas no caso descrito o quadro clínico é de enterocolite necrosante com distensão abdominal recente, então a via enteral está contraindicada naquele momento. Por isso, entre as alternativas, a medida mais adequada é reduzir a oferta de lipídeos da NPT, estratégia usada para diminuir a sobrecarga hepática e ajudar a controlar a colestase. Ácido ursodesoxicólico pode ser usado em algumas situações de colestase, mas não é a medida principal quando o problema é a NPT em curso e o intestino ainda não pode ser alimentado. Fototerapia trata icterícia indireta, não colestase. Probióticos não resolvem esse quadro agudo. Em provas, a lógica é: recém-nascido em NPT prolongada + colestase = pense em diminuir agressividade da NPT, especialmente lipídios, e tentar enteral assim que seguro.