Sobre a otite média aguda (OMA) na infância, assinale a afirmativa correta.
- A)Para o diagnóstico de OMA é necessário a presença de efusão em orelha média com nível hidroaéreo.
Errada: o diagnóstico de OMA não exige nível hidroaéreo, mas sim sinais de efusão no ouvido médio associados a inflamação aguda.
- B)Após a introdução da vacina pneumocócica conjugada, houve uma mudança da frequência dos agentes bacterianos causadores da OMA, com redução do Streptococcus pneumoniae e aumento do Haemophilus influenzae.
Certa: após a vacina pneumocócica conjugada, houve redução do Streptococcus pneumoniae e aumento relativo do Haemophilus influenzae nas OMA.
- C)A incidência é maior na faixa etária entre 2 e 5 anos de idade.
Errada: a maior incidência ocorre nos menores, principalmente entre 6 meses e 2 anos, e não entre 2 e 5 anos.
- D)Para crianças com história prévia de anafilaxia e angioedema a betalactâmicos, o tratamento deve ser realizado com ciprofloxacina sistêmica.
Errada: ciprofloxacina sistêmica não é a conduta usual para OMA em criança com alergia grave a betalactâmicos.
- E)A OMA é uma infecção autolimitada e apenas crianças abaixo de 2 anos de idade devem receber tratamento antimicrobiano.
Errada: a OMA nem sempre exige antibiótico, e a decisão terapêutica não se limita apenas às crianças abaixo de 2 anos.
Gabarito: B
A otite média aguda (OMA) é uma infecção muito comum na infância, geralmente depois de uma virose de vias aéreas superiores. O quadro típico envolve início rápido de otalgia, febre e sinais de inflamação no ouvido médio, e o diagnóstico não depende de um detalhe isolado, mas do conjunto clínico, especialmente da presença de efusão com inflamação da membrana timpânica. Na prática, o que mais pesa é a otoscopia: membrana abaulada, opaca e com mobilidade reduzida sugerem bem OMA. Um ponto clássico é a mudança dos agentes depois da vacina pneumocócica conjugada. Houve redução das OMA por Streptococcus pneumoniae e aumento relativo da participação do Haemophilus influenzae não tipável, que passou a aparecer mais como vilão da história. Isso cai muito em prova porque a banca gosta de cobrar mudança epidemiológica pós-vacina, quase como se dissesse: “o jogo mudou, preste atenção no novo placar”. A faixa etária mais atingida é menor, sobretudo entre 6 meses e 2 anos, e não entre 2 e 5 anos. Em relação ao tratamento, nem toda criança precisa antibiótico de saída; a conduta depende de idade, gravidade, lateralidade e possibilidade de observação. Em casos de alergia grave a betalactâmicos, a escolha do antimicrobiano não costuma ser ciprofloxacina sistêmica como regra, porque isso não é a opção padrão para OMA pediátrica. Portanto, a afirmativa correta é a letra B, pois expressa exatamente a alteração do perfil bacteriano após a introdução da vacina pneumocócica conjugada, com queda do S. pneumoniae e aumento relativo do H. influenzae.