Paciente de 28 anos, homem que faz sexo com outros homens, hígido, faz uso regular de profilaxia pré exposição de risco à infecção pelo HIV (PREP). Há 9 dias viajou a trabalho e esqueceu de levar a medicação. Hoje retorna em seu médico infectologista sem uso da medicação há 5 dias e referindo que há 48h teve diversas relações desprotegidas em uma festa. O mesmo questiona sobre seu risco de adquirir a infecção pelo HIV e pede receita para retorno da PREP. Assinale a opção que indica a orientação adequada com relação à prevenção da infecção pelo HIV, neste momento.
- A)Retornar a PREP e usar preservativos nos sete dias consecutivos ao reinício da medicação.
Errada: apenas retomar a PREP não cobre adequadamente uma exposição ocorrida há 48 horas com interrupção prévia da profilaxia.
- B)Retornar a PREP e realizar sorologia para HIV após 30 dias da última relação sexual.
Errada: sorologia tardia não resolve a necessidade de prevenção imediata após exposição recente, e a conduta não deve esperar 30 dias.
- C)Realizar imediatamente carga viral para HIV e se negativa, reiniciar o uso de PREP.
Errada: carga viral isolada não é o passo inicial para definir a profilaxia neste cenário, e um resultado negativo não substitui a indicação de PEP.
- D)Oferecer profilaxia pós exposição com tenofovir/lamivudina e dolutegravir já que tem menos de 72h da última exposição de risco.
Certa: como a exposição foi há menos de 72 horas e houve falha/interrupção da PREP, está indicada PEP com esquema antirretroviral.
- E)Solicitar carga viral para HIV e sorologias para demais infecções sexualmente transmissíveis e aguardar resultados para definir retorno da PREP.
Errada: aguardar exames para decidir atrasaria a profilaxia, mas aqui a conduta precisa ser imediata por causa da janela de tempo da exposição.
Gabarito: D
A lógica aqui é simples: se houve exposição de risco e ainda estamos dentro da janela de até 72 horas, a conduta é pensar em profilaxia pós-exposição (PEP), não em apenas “voltar para a PREP” como se nada tivesse acontecido. A PEP precisa ser iniciada o quanto antes, porque o vírus pode começar a se estabelecer rapidamente, e cada hora conta. É aquele tipo de situação em que o relógio manda mais que a pressa do paciente. Neste caso, o paciente interrompeu a PREP há 5 dias e teve relações desprotegidas há 48 horas. Como houve falha na cobertura protetora e a exposição foi recente, a orientação adequada é oferecer PEP com esquema padrão, como tenofovir/lamivudina associado a dolutegravir, por 28 dias. Depois, com seguimento adequado e sorologias negativas, ele pode retornar à estratégia de PREP. A ideia central das diretrizes do Ministério da Saúde é: exposição recente, até 72 horas, pede PEP; PREP é prevenção contínua para antes da exposição, mas não substitui a abordagem pós-exposição quando houve intervalo sem proteção. Em outras palavras, PREP é guarda-chuva; PEP é o socorro quando a chuva já pegou você no caminho. Portanto, a alternativa D está correta porque há uma exposição sexual de risco há menos de 72 horas em um paciente que ficou sem a medicação preventiva, o que indica indicação de PEP imediata.