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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente jovem, com quadro de sepse, foi submetido à laparotomia mediana para tratamento de peritonite difusa devido à apendicite aguda supurada. No terceiro dia pós-operatório encontrava-se grave, sedado, em ventilação assistida, com FiO2 de 70% e com uso de aminas em níveis ascendentes. A pressão intra-abdominal encontrava-se em torno de 26 mmHg. Diante desse quadro, assinale a opção que indica a melhor conduta.

Gabarito: C

Esse quadro é típico de hipertensao intra-abdominal importante, com repercussao organica. Quando a pressao intra-abdominal sobe demais, o abdome vira uma especie de “torniquete interno”: piora a ventilacao, reduz retorno venoso, cai a perfusao renal e o paciente entra em espiral de choque e falencia respiratoria. Nao basta “empurrar mais amina” ou esperar o organismo se ajeitar sozinho. Em geral, valores acima de 20 mmHg com disfuncao de orgaos ja sugerem sindrome compartimental abdominal. Aqui ha piora hemodinamica, necessidade crescente de vasopressores e alta demanda de FiO2, o que mostra que a distensao abdominal esta comprometendo o paciente de forma grave. A melhor conduta, diante de um quadro ja instalado e grave, e descompressao cirurgica: relaparotomia com peritoneostomia, deixando o abdomen aberto para aliviar a pressao e permitir controle posterior. E a medida definitiva quando as manobras clinicas nao resolvem e ha falencia progressiva. As medidas como sedacao extra, relaxante muscular, sonda nasogastrica e retal podem ajudar quando a elevacao da pressao ainda e funcional ou inicial, mas nao resolvem um abdomen compartimental ja com disfuncao de orgaos. A logica aqui e simples: se o abdome esta sufocando o paciente, voce precisa abrir o abdome.

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