Em relação ao risco cardiovascular pré-operatório, o peptídeo natriurético cerebral (BNP) tem sua utilidade devido à
- A)estratificação de pacientes que terão maior chance de eventos cardíacos adversos.
Correta, porque o BNP ajuda a estratificar pacientes com maior risco de eventos cardíacos adversos no perioperatório.
- B)identificação de pacientes que se beneficiariam de revascularização prévia.
Errada, porque BNP não define quem se beneficiará de revascularização prévia; essa decisão depende de avaliação cardiológica específica.
- C)estratificação de pacientes que deveriam suspender bloqueadores de angiotensina.
Errada, porque BNP não é usado para indicar suspensão de bloqueadores do sistema renina-angiotensina.
- D)identificação acurada de pacientes com doença arterial coronariana.
Errada, porque BNP não identifica com acurácia doença arterial coronariana, apenas sugere maior risco cardíaco.
- E)identificação de pacientes com acidente vascular encefálico prévio.
Errada, porque BNP não serve para detectar antecedente de acidente vascular encefálico.
Gabarito: A
No risco cardiovascular pré-operatório, o BNP entra como um marcador de estresse cardíaco. Quando o coração está sofrendo mais do que deveria, ele libera esse peptídeo, então valores elevados sugerem maior chance de complicações no perioperatório. Em outras palavras: ele não “fecha diagnóstico” de doença coronariana, mas ajuda a enxergar quem está mais vulnerável a eventos cardíacos adversos depois da cirurgia. Isso é muito útil porque a avaliação pré-operatória não depende só de olhar idade, comorbidades e tipo de cirurgia. Às vezes o paciente parece estável, mas o BNP entrega que o miocárdio já está trabalhando sob pressão. Por isso ele tem valor na estratificação de risco, funcionando como um alerta adicional para planejamento anestésico e clínico. É aí que o gabarito A faz sentido: o BNP serve para estratificar pacientes com maior chance de eventos cardíacos adversos, especialmente no cenário perioperatório. Ele ajuda a separar quem está em risco maior e pode precisar de vigilância mais estreita, otimização clínica ou avaliação cardiológica mais cuidadosa. As demais alternativas misturam o BNP com funções que não são dele. BNP não identifica de forma acurada doença arterial coronariana, não seleciona quem deve fazer revascularização prévia e não é marcador de AVC prévio nem de suspensão de bloqueadores do sistema renina-angiotensina. Aqui, a banca quer que você lembre: BNP é marcador de risco, não um detector universal de cardiopatia.