Paciente em tratamento para LLA, encerrou o bloco de quimioterapia há 7 dias e chega ao pronto-atendimento apresentando febre sem sinais de localização no exame físico. No momento, apresenta-se clinicamente estável, sem sinais de gravidade. Foi colhido hemograma com 500 leucócitos totais e 80 neutrófilos. Sobre a conduta imediata nesse caso, além da coleta de culturas e provas inflamatórias, está indicado
- A)orientar retorno ambulatorial em 24h para reavaliação clínica e checagem dos exames.
Errada, porque febre com neutropenia grave em paciente onco-hematológico não deve ser manejada como caso ambulatorial.
- B)prescrever antibiótico oral e orientar retorno em 24 horas.
Errada, porque antibiótico oral e retorno em 24 horas é conduta insuficiente para neutropenia grave após quimioterapia.
- C)internação hospitalar e aguardar o resultado dos exames para avaliar necessidade de antibiótico.
Errada, porque não se deve aguardar exames sem iniciar antimicrobiano empírico em febre neutropênica de alto risco.
- D)internação hospitalar e iniciar monoterapia com Cefepima ou Piperacilina + sulbactam.
Certa, porque o paciente tem febre neutropênica grave e deve ser internado para antibiótico venoso antipseudomonas em monoterapia.
- E)internação hospitalar e iniciar terapia com Cefepima + Vancomicina.
Errada, porque a vancomicina não é rotina na abordagem inicial e só deve ser adicionada em situações clínicas específicas.
Gabarito: D
Esse caso é febre em paciente neutropênico, e aqui o detalhe que manda em tudo é o número de neutrófilos: 80 neutrófilos absolutos. Isso é neutropenia grave (muito abaixo de 500) e, em contexto de quimioterapia recente, o risco de bacteremia e sepse sobe rápido, mesmo com exame físico “bonitinho”. Em prova, febre + neutropenia é sinal de alerta máximo: não é hora de observar em casa, nem de esperar cultura para decidir tratamento. A conduta imediata é internação e início de antibiótico empírico venoso com cobertura para Pseudomonas, porque o paciente está em alto risco. Por isso, a monoterapia com um beta-lactâmico antipseudomonas, como cefepime ou piperacilina-tazobactam, é a escolha clássica inicial. A lógica é simples: primeiro você trata a possível infecção grave, depois refina conforme culturas e evolução clínica. Vancomicina não entra de rotina em todo febril neutropênico. Ela fica para situações específicas, como suspeita de infecção de pele/partes moles, pneumonia, instabilidade hemodinâmica, suspeita de infecção relacionada a cateter ou colonização por MRSA, por exemplo. Ou seja: usar vancomicina “de largada” em todo mundo costuma ser excesso, e banca adora esse exagero para confundir. Portanto, a alternativa correta é a que indica internação hospitalar e início de monoterapia com cefepime ou piperacilina-tazobactam. Isso segue a conduta padrão de manejo da febre neutropênica em paciente onco-hematológico de alto risco, amplamente adotada em diretrizes como as da IDSA e em protocolos oncológicos.