O achado ao eletroencefalograma de descargas de complexos espicula-ondas, rítmicos, a 3 Hz, é sugestivo de crises
- A)tônicas.
Errada, porque crises tônicas costumam ter outro padrão clínico e eletroencefalográfico, sem a assinatura clássica de espicula-onda rítmica a 3 Hz.
- B)mioclônicas.
Errada, porque crises mioclônicas podem ter achados variados no EEG, mas não são definidas por esse padrão típico de 3 Hz.
- C)Tônico-clônicas primariamente generalizadas.
Errada, porque crises tônico-clônicas primariamente generalizadas não têm como achado clássico esse ritmo espicula-onda a 3 Hz, que aponta para ausência.
- D)de ausência típica.
Certa, porque descargas espicula-ondas generalizadas e rítmicas a 3 Hz são o achado clássico de crise de ausência típica.
- E)Tônico-clônicas secundariamente generalizadas.
Errada, porque crises tônico-clônicas secundariamente generalizadas começam de forma focal e não apresentam esse padrão clássico de 3 Hz no EEG.
Gabarito: D
O eletroencefalograma (EEG) pode dar pistas muito valiosas sobre o tipo de crise epiléptica, e aqui o detalhe-chave é a descarga de complexos espicula-ondas rítmicos a 3 Hz. Esse padrão é clássico das crises de ausência típica, especialmente em crianças e adolescentes, com início e término abruptos, breve perda de contato com o ambiente e, muitas vezes, sem fase pós-ictal importante. É aquele quadro em que a pessoa “desliga” por alguns segundos e depois volta como se nada tivesse acontecido. A frequência de 3 Hz é praticamente a assinatura das ausências típicas no EEG. Em termos práticos, quando a banca coloca espicula-onda generalizada, rítmica, simétrica e nessa frequência, ela está apontando para uma crise generalizada de ausência, e não para crises motoras mais exuberantes. O cérebro faz um “ritmo” bem característico, e a banca adora transformar isso em questão direta. As crises tônico-clônicas primariamente generalizadas costumam ter outro perfil eletroclínico, com início abrupto, manifestação motora intensa e descargas generalizadas que não são descritas com esse padrão clássico de 3 Hz. Já as crises tônico-clônicas secundariamente generalizadas começam de forma focal e depois se espalham, então o EEG também não costuma vir com essa marca típica de ausência. Por isso, o gabarito D está correto: descargas espicula-ondas rítmicas a 3 Hz no EEG sugerem crise de ausência típica. Se você lembrar da “assinatura de 3 Hz”, já ganha meio ponto mental nessa matéria.