Rapaz de 18 anos relata dor intensa de início há 8 semanas em região do quadril direito. A dor piora à noite, é acompanhada de febre não-aferida e incapacidade funcional importante (não deambula há 2 semanas). A radiografia evidencia área lítica com limites bem definidos, circundada por esclerose e espessamento cortical em diáfise femoral direita. Assinale a opção que indica o diagnóstico mais provável.
- A)Osteoblastoma.
Osteoblastoma é um diferencial próximo, mas costuma ser maior, menos doloroso à noite e com comportamento radiológico menos clássico que o descrito.
- B)Osteomielite aguda.
Osteomielite aguda pode dar dor e febre, porém a imagem típica seria de infecção óssea e não de nidus lítico com esclerose periférica bem delimitada.
- C)Osteossarcoma.
Osteossarcoma é mais agressivo, geralmente com destruição óssea e reação periosteal exuberante, diferente da lesão pequena e bem circunscrita do enunciado.
- D)Osteoma osteoide.
Osteoma osteoide é o diagnóstico clássico: adolescente, dor noturna intensa, lesão lítica pequena com esclerose e espessamento cortical em osso longo.
- E)Fratura patológica.
Fratura patológica explica dor e incapacidade, mas não justifica o padrão radiológico típico de lesão lítica bem delimitada com esclerose ao redor.
Gabarito: D
A pista mais importante da questão é o conjunto dor noturna intensa + melhora com anti-inflamatório + lesão pequena, lítica, bem delimitada, com esclerose ao redor e espessamento cortical na diáfise de um osso longo. Isso é bem típico de osteoma osteoide, um tumor benigno, geralmente em adolescentes e adultos jovens, que adora acordar o paciente de madrugada com dor chata e localizada. O ninho da lesão costuma ser pequeno, mas a resposta inflamatória ao redor pode ser bem chamativa na imagem, o que engana bastante. Na radiografia, o achado clássico é justamente um foco radiolúcido central, o nidus, cercado por esclerose reacional. Quando a lesão está na cortical, pode haver espessamento cortical importante, como no caso descrito na diáfise femoral. O quadril e o fêmur são locais comuns, e a dor pode limitar bastante a função, mesmo sendo uma lesão benigna. O detalhe da febre não aferida pode confundir com infecção, mas osteoma osteoide também pode simular quadro inflamatório por causa da dor intensa e da reação óssea local. O paciente não deambula por dor, não por destruição agressiva do osso, o que ajuda a afastar processos mais malignos ou infecciosos extensos. Em prova, vale lembrar o contraste: osteomielite tende a ter sinais sistêmicos e imagem menos típica; osteossarcoma costuma ser agressivo, com destruição óssea e reação periosteal exuberante; fratura patológica pressupõe uma lesão de base que enfraqueceu o osso, mas aqui o padrão radiológico é clássico de tumor benigno com nidus. Por isso, o gabarito é D.