Paciente de 53 anos, com diagnóstico de carcinoma in situ grau I por mamotomia de calcificações agrupadas em mama esquerda. Após a biopsia houve desaparecimento completo da lesão. A conduta seguinte deve ser
- A)radioterapia mamária.
Errada, porque radioterapia pode ter papel adjuvante após cirurgia conservadora, mas não substitui a exérese da área suspeita.
- B)quadrantectomia com biopsia de linfonodo sentinela.
Errada, porque linfonodo sentinela nao é rotina em carcinoma in situ puro e a primeira medida é retirar a área da lesão.
- C)tamoxifeno adjuvante.
Errada, porque tamoxifeno é adjuvante em situações selecionadas e nao resolve a necessidade de ressecção do foco mamário.
- D)ressecção cirúrgica guiada da topografia da lesão.
Certa, porque a conduta é retirar cirurgicamente o sítio da lesão mamária não palpável, mesmo que a imagem tenha desaparecido após a biopsia.
- E)observação clínica com novos exames em 6 meses.
Errada, porque a simples observação deixa de tratar e de confirmar histologicamente se restou doença no local.
Gabarito: D
Quando a mamotomia mostra carcinoma in situ, principalmente um quadro de lesão calcificada na mama, o diagnóstico ainda não encerra a história. A biópsia por agulha pode retirar toda a área visível na imagem, mas isso nao significa que a doença foi eliminada de forma definitiva. Pode sobrar lesão residual no local da biopsia, ou até haver componente invasivo que não foi captado no fragmento analisado. Por isso, a conduta padrão é remover cirurgicamente a topografia da lesão, isto é, fazer a ressecção guiada do local onde estava a alteração mamográfica. Em oncologia mamária, o achado de desaparecimento da imagem após a biopsia não autoriza observação simples, porque o objetivo é tratar e também confirmar se existe doença residual na peça cirúrgica. Esse raciocínio é clássico em lesões mamárias não palpáveis com calcificações suspeitas: o fato de a área sumir no exame de imagem depois da mamotomia pode acontecer porque o alvo era pequeno e foi parcialmente ou totalmente amostrado, mas ainda assim a margem de segurança oncológica exige exérese do sítio. A cirurgia também ajuda a definir melhor a extensão real da doença. Assim, o gabarito correto é a ressecção cirúrgica guiada da topografia da lesão. As demais opções erram por exagero ou por omissão: radioterapia e tamoxifeno não substituem a retirada do foco; linfonodo sentinela nao é rotina em carcinoma in situ puro; e apenas observar deixaria uma lesão potencialmente residual sem tratamento adequado.