Paciente na menopausa sofre queda da própria altura com trauma direto sobre o ombro. Além da incapacidade funcional e dor, apresentou hematoma no terço distal do braço afetado. Foi levada à Emergência onde foi constatado, ao exame radiográfico, fratura do terço proximal. A respeito deste quadro clínico, assinale a afirmativa correta.
- A)Todas as fraturas do úmero proximal podem ser tratadas sem cirurgia.
Errada, porque nem todas as fraturas do úmero proximal podem ser tratadas sem cirurgia; as desviadas e complexas podem exigir intervenção cirúrgica ou artroplastia.
- B)A idade dita um prognóstico pior que o desvio e o afastamento dos fragmentos.
Errada, porque o prognóstico depende muito do desvio, da cominuição e da qualidade óssea, não apenas da idade.
- C)Estas fraturas só ocorrem com traumas de alta energia.
Errada, porque essas fraturas são muito comuns em traumas de baixa energia, como queda da própria altura, especialmente em idosos osteoporóticos.
- D)A artroplastia parcial é um método aceitável em pacientes idosos e com osteoporose com fraturas desviadas.
Certa, porque em idosos com osteoporose e fraturas desviadas do úmero proximal a artroplastia parcial é uma opção terapêutica aceita.
- E)As fraturas com dois fragmentos do colo anatômico são frequentes.
Errada, porque fraturas em dois fragmentos do colo anatômico são incomuns; o padrão mais frequente é a fratura do colo cirúrgico ou outras configurações de acordo com a classificação de Neer.
Gabarito: D
As fraturas do úmero proximal aparecem muito em idosos, sobretudo em mulheres com osteoporose, e muitas vezes acontecem após uma queda da própria altura. Nem toda fratura do ombro precisa de cirurgia: algumas são pouco desviadas e vão bem com tratamento conservador, mas as desviadas, com maior perda de alinhamento e pior qualidade óssea, podem exigir abordagem cirúrgica ou até artroplastia. No caso descrito, o ponto-chave é a paciente idosa, menopausada e com provável osso fragilizado. Nessas situações, quando a fratura do úmero proximal é desviada e a fixação tende a falhar por osteoporose, a artroplastia parcial é uma opção aceita e clássica. Ela entra principalmente quando reconstruir a fratura com placas ou fios tem baixa chance de bom resultado funcional. A banca gosta de cobrar essa ideia: não basta olhar só para o trauma, é preciso pensar no perfil da paciente e no padrão da fratura. Em ortopedia, idade avançada e osteoporose pesam bastante na decisão terapêutica, porque reduzem a chance de consolidação satisfatória com métodos de osteossíntese simples. Por isso, a alternativa D está correta: em pacientes idosos, osteoporóticos e com fraturas desviadas do úmero proximal, a artroplastia parcial é um método aceitável. É uma conduta bem reconhecida na prática ortopédica, especialmente quando a fratura é complexa e a reconstrução anatômica é pouco confiável.