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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente de 64 anos, tababista e hipertenso, apresenta dor torácica súbita, de forte intensidade. Ao exame, encontra-se taquicárdico (FC110 bpm), hipertenso (PA = 190x110mmHg), queixando-se de dor intensa no tórax, sem irradiação. Pulsos dos membros superiores amplos e simétricos. Pulsos dos membros inferiores, observa-se pulso femoral direito diminuído em relação ao esquerdo, porém ambos presentes. A partir dos dados do caso, assinale a opção que indica a principal hipótese diagnóstica, o exame complementar a ser realizado para confirmação da hipótese e o tratamento inicial a ser instituído.

Gabarito: C

A dor torácica súbita, muito intensa, em paciente hipertenso e tabagista, sempre acende a luz amarela para dissecção aguda de aorta. O detalhe que ajuda muito aqui é a diferença de pulso entre os membros inferiores, sugerindo comprometimento de ramo arterial por extensão do flap intimimal. Em quadro suspeito de dissecção, o exame de escolha para confirmar rapidamente é a angiotomografia de aorta, pois é rápida, disponível e mostra bem a extensão da lesão. Na classificação de Stanford, quando a dissecção poupa a aorta ascendente, ela é tipo B; na classificação de DeBakey, isso corresponde ao tipo III. Como o caso descreve ausência de sinais de acometimento de membros superiores e sugere acometimento distal, a melhor hipótese é justamente uma dissecção distal, com pulsos femorais assimétricos, mas preservados. O tratamento inicial, na dissecção tipo B sem complicações, é clínico conservador no primeiro momento: controle rigoroso da pressão arterial e da frequência cardíaca, em geral com betabloqueador, para reduzir o estresse da parede aórtica. Intervenção cirúrgica fica reservada para complicações como ruptura, isquemia de órgão, dor persistente ou progressão do aneurisma/dissecção. Por isso o gabarito C está correto: o quadro é de dissecção aórtica Stanford B, DeBakey III, confirmada por angiotomografia, e o manejo inicial é clínico. Em prova de emergência, pense assim: primeiro estabiliza, depois confirma com imagem, e só depois decide se vai para a mesa ou para tratamento conservador.

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