Paciente de 64 anos, tababista e hipertenso, apresenta dor torácica súbita, de forte intensidade. Ao exame, encontra-se taquicárdico (FC110 bpm), hipertenso (PA = 190x110mmHg), queixando-se de dor intensa no tórax, sem irradiação. Pulsos dos membros superiores amplos e simétricos. Pulsos dos membros inferiores, observa-se pulso femoral direito diminuído em relação ao esquerdo, porém ambos presentes. A partir dos dados do caso, assinale a opção que indica a principal hipótese diagnóstica, o exame complementar a ser realizado para confirmação da hipótese e o tratamento inicial a ser instituído.
- A)Aneurisma Tóraco-Abdominal roto / Angiorressonância / Intervenção cirúrgica.
Errada, porque aneurisma tóraco-abdominal roto costuma causar instabilidade hemodinâmica e não é a melhor hipótese diante do padrão de dor súbita com assimetria de pulsos.
- B)Dissecção Aórtica Classificação Stanford A / Debakey I; Angiotomografia / Tratamento clínico conservador.
Errada, porque a dissecção Stanford A/DeBakey I acomete a aorta ascendente e costuma exigir cirurgia, não tratamento clínico conservador.
- C)Dissecção Aórtica Classificação Stanford B / Debakey III; Angiotomografia / Tratamento clínico conservador.
Certa, pois descreve dissecção da aorta descendente (Stanford B/DeBakey III), confirmada por angiotomografia, com tratamento inicial clínico.
- D)Úlcera Penetrante de Aorta / Ecocardiograma Transtorácico / Intervenção cirúrgica.
Errada, porque úlcera penetrante de aorta não é a hipótese mais provável aqui e o ecocardiograma transtorácico não é o melhor exame confirmatório.
- E)Dissecção Aórtica Classificação Stanford A / Debakey III; Angiotomografia / Intervenção cirúrgica.
Errada, porque Stanford A/DeBakey III está inconsistente na classificação, e dissecção tipo A não é manejada inicialmente apenas com cirurgia sem o contexto correto do subtipo.
Gabarito: C
A dor torácica súbita, muito intensa, em paciente hipertenso e tabagista, sempre acende a luz amarela para dissecção aguda de aorta. O detalhe que ajuda muito aqui é a diferença de pulso entre os membros inferiores, sugerindo comprometimento de ramo arterial por extensão do flap intimimal. Em quadro suspeito de dissecção, o exame de escolha para confirmar rapidamente é a angiotomografia de aorta, pois é rápida, disponível e mostra bem a extensão da lesão. Na classificação de Stanford, quando a dissecção poupa a aorta ascendente, ela é tipo B; na classificação de DeBakey, isso corresponde ao tipo III. Como o caso descreve ausência de sinais de acometimento de membros superiores e sugere acometimento distal, a melhor hipótese é justamente uma dissecção distal, com pulsos femorais assimétricos, mas preservados. O tratamento inicial, na dissecção tipo B sem complicações, é clínico conservador no primeiro momento: controle rigoroso da pressão arterial e da frequência cardíaca, em geral com betabloqueador, para reduzir o estresse da parede aórtica. Intervenção cirúrgica fica reservada para complicações como ruptura, isquemia de órgão, dor persistente ou progressão do aneurisma/dissecção. Por isso o gabarito C está correto: o quadro é de dissecção aórtica Stanford B, DeBakey III, confirmada por angiotomografia, e o manejo inicial é clínico. Em prova de emergência, pense assim: primeiro estabiliza, depois confirma com imagem, e só depois decide se vai para a mesa ou para tratamento conservador.