Adolescente de 12 anos, do sexo masculino, apresenta dor súbita no quadril, apresentando dificuldade de marcha. Sem febre ou outros sintomas, foi levado pelos pais para avaliação, pois não conseguia andar. Na sua história não havia passado por trauma recente e, no exame físico, detectou-se que estava bem acima do peso e apresentava forte defesa do quadril afetado. As radiografias apresentavam alteração no quadril afetado, com perda da relação normal entre a epífise e colo femoral. Em relação à direção do escorregamento da epífise femoral, podemos afirmar que é sempre
- A)posterior e frequentemente medial.
Correta: na epifisiólise proximal do fêmur, a epífise desliza em posição posterior e costuma também ficar medial em relação ao colo.
- B)anterior e frequentemente lateral.
Errada: o escorregamento não é anterior, e a direção lateral não é a descrição clássica da lesão.
- C)posterior e frequentemente lateral.
Errada: a direção posterior até lembra a lesão, mas o componente lateral não corresponde ao padrão esperado.
- D)anterior e frequentemente medial.
Errada: o deslizamento não é anterior, e a relação medial não define o sentido clássico do escorregamento.
- E)posterior e frequentemente axial.
Errada: a expressão axial não é a forma usada para caracterizar essa epifisiólise.
Gabarito: A
O quadro descreve a epifisiólise proximal do fêmur, também chamada de slip capital femoral, muito típica em adolescentes acima do peso com dor no quadril e dificuldade de marcha, às vezes sem trauma importante. O ponto-chave é que a epífise femoral proximal "escorrega" em relação ao colo femoral pela placa de crescimento enfraquecida, e isso muda a posição da cabeça femoral nas radiografias. Na prática, o colo e a diáfise vão para anterior e superior, enquanto a epífise permanece na cavidade acetabular, dando a impressão de deslocamento da cabeça em relação ao colo. Como a relação é analisada pela posição da epífise em relação ao colo, o escorregamento é descrito como sempre posterior e, frequentemente, medial. Por isso, o gabarito é a alternativa A. Esse é um detalhe clássico de ortopedia cobrado em prova: o deslizamento verdadeiro ocorre no plano da fise, e a epífise fica para trás em relação ao colo femoral.