A leucemia é o câncer mais diagnosticado nos pacientes pediátricos e apresenta taxa de sobrevida elevada em torno de 90 %, porém as crianças que apresentam recaída ainda têm resultados ruins. A necessidade de novos tratamentos para os grupos de alto risco vem aumentando e houve o desenvolvimento de imunoterapias incluindo terapia das células de CAR-T. A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
- A)As células T com os receptores de antígeno quimérico (CARs) são receptores geneticamente manipulados que oferecem às células imunes efetoras uma propriedade imunológica mais potente e redireciona o sistema imune afim de eliminar qualquer tipo de células tumorais.
Errada: os CARs não eliminam “qualquer tipo” de tumor, porque são desenhados para alvos específicos, como CD19, e não para todos os cânceres de forma genérica.
- B)Tisagenlecleucel foi a primeira terapia CAR T testada, porém não foi aprovada pelo FDA, em 2017, para tratamento dos casos de LLA B recaído.
Errada: o tisagenlecleucel foi aprovado pelo FDA em 2017 para LLA-B recaída ou refratária, portanto a frase inverte o fato histórico.
- C)Os efeitos colaterais conhecidos da terapia CAR T incluem a síndrome de liberação de citoquinas e a síndrome de neurotoxicidade células associadas.
Certa: os principais eventos adversos da CAR-T incluem a síndrome de liberação de citocinas e a síndrome de neurotoxicidade associada às células efetoras imunes.
- D)A terapia CAR-T foi descartada para linfomas de células B grandes e difusas.
Errada: a CAR-T não foi descartada para linfoma difuso de grandes células B; ao contrário, ela também tem indicação nesse cenário em casos selecionados.
- E)A taxa de resposta com terapia CAR-T CD19 nos pacientes LLA B é excelente e a recaída pós infusão não foi observada.
Errada: apesar das taxas de resposta serem altas, ainda pode haver recaída após a infusão, então não dá para dizer que isso não ocorre.
Gabarito: C
A terapia com células CAR-T é uma forma de imunoterapia em que os linfócitos T do próprio paciente são modificados em laboratório para reconhecer um alvo específico no tumor, como o CD19 nas leucemias B. A ideia é simples e poderosa: em vez de o sistema imune procurar o câncer sozinho, ele recebe um “GPS biológico” para encontrar melhor a célula maligna. Por isso, essa estratégia ganhou espaço especialmente em casos recaídos ou refratários, quando o tratamento padrão já não está dando conta do recado.