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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente com história de ingestão de um corpo estranho confirmado por radiografia. As opções a seguir mostram indicação de retirada endoscópica de urgência do corpo estranho, à exceção de uma. Assinale-a.

Gabarito: C

Na ingestão de corpo estranho, a urgência endoscópica depende principalmente de três coisas: local da impactação, tipo do objeto e presença de risco de lesão. Esôfago é território de atenção máxima, porque ali o objeto pode causar obstrução, perfuração e complicações respiratórias. Por isso, moeda no esôfago, objeto pontiagudo e bateria esofágica entram como indicação de retirada rápida, muitas vezes em caráter de urgência ou emergência. Já quando a moeda está no estômago e o paciente está assintomático, o jogo muda. Em geral, moedas no estômago costumam atravessar o trato digestivo espontaneamente, então não há indicação de retirada endoscópica de urgência só por esse achado. O manejo costuma ser observação, orientação e acompanhamento, salvo se houver persistência, sintomas ou características especiais do caso. Objetos pontiagudos e corpos estranhos traumáticos merecem mais cuidado porque têm maior chance de perfuração, especialmente se estiverem presos ou em locais estreitos. Baterias, por sua vez, são clássicas da prova: se estiverem no esôfago, precisam ser retiradas imediatamente pelo risco de queimadura cáustica e necrose local. Em outras palavras, o esôfago não gosta de visitas perigosas. Assim, a alternativa que foge da regra de retirada endoscópica de urgência é a moeda no estômago em paciente sem sintomas. A conduta aí não é correr para a endoscopia urgente, mas acompanhar a evolução clínica e radiológica quando necessário.

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