Entre pacientes que se submetem ao transplante renal, a recorrência da doença de base é observada em alguns casos, entre os quais, destaca-se um tipo de glomerulonefrite caracterizada por ter múltiplas etiologias, incluindo infecções, algumas doenças autoimunes, gamopatias monoclonais e desregulação do sistema do complemento, sendo uma delas a glomerulonefrite por C3, que evolui com importante hipocomplementenemia crônica e, na histopatologia renal, apresenta-se, caracteristicamente, como uma forma de
- A)vasculite ANCA positiva.
Errada, porque vasculite ANCA positiva é uma glomerulonefrite pauci-imune e não o padrão histológico típico da glomerulonefrite por C3.
- B)glomerulonefrite membranoproliferativa.
Certa, porque a glomerulonefrite por C3 apresenta, classicamente, padrão histopatológico membranoproliferativo.
- C)doença de lesão mínima.
Errada, porque doença de lesão mínima cursa com alterações discretas à microscopia óptica e não com o padrão membranoproliferativo.
- D)nefropatia de Berger.
Errada, porque nefropatia de Berger é a nefropatia por IgA, com depósito predominante de IgA, e não lesão por complemento com padrão membranoproliferativo.
- E)glomerulonefrite membranosa.
Errada, porque glomerulonefrite membranosa tem depósito subepitelial e espessamento difuso da membrana basal, sem o padrão membranoproliferativo clássico.
Gabarito: B
A recorrencia de doença de base depois do transplante renal é um ponto clássico em nefrologia, porque algumas glomerulopatias podem reaparecer no enxerto e comprometer o resultado do transplante. Entre elas, a glomerulonefrite por C3 chama atenção por estar ligada a desregulação da via alternativa do complemento, com hipocomplementenemia crônica e evolução muitas vezes insidiosa. Em outras palavras: o problema não é um agente único, mas um sistema de defesa que passou a funcionar de forma desordenada. Na histopatologia, a glomerulonefrite por C3 costuma entrar no grupo das glomerulonefrites membranoproliferativas, porque o padrão de lesão glomerular é esse. O que muda é a causa de fundo: pode haver infecções, doenças autoimunes, gamopatias monoclonais ou alterações do complemento. Por isso, a banca destaca esse quadro como uma forma de glomerulonefrite membranoproliferativa. Esse é o ponto da questão: a descrição clínica e etiológica aponta para glomerulonefrite por C3, mas a pergunta quer o padrão histopatológico. E esse padrão é membranoproliferativo, com proliferação mesangial e endocapilar, além de espessamento e remodelamento da membrana basal glomerular. Então, o gabarito B está correto porque a glomerulonefrite por C3 se manifesta, classicamente, como glomerulonefrite membranoproliferativa. É a combinação de complemento desregulado + hipocomplementenemia crônica + padrão membranoproliferativo que entrega a resposta sem susto.