Com relação à Terapia Nutricional em crianças e adolescentes com doenças associadas, analise as afirmativas a seguir. I. No paciente com diabetes mellitus, o método de contagem de carboidratos é recomendado como estratégia para individualizar e flexibilizar a ingestão alimentar para obter bom controle glicêmico, consistindo em relacionar a quantidade de carboidratos consumida com a dose de insulina adequada para a absorção, objetivando reduzir as variações da glicemia pós-prandial. II. No paciente com doença renal crônica nos estágios III a V, sugere-se que seja monitorado o nível sérico de 25- hidroxivitamina D e que haja suplementação quando os níveis atingirem valores inferiores a 50 ng/mL. III. Nos pacientes com epilepsia na infância, a dieta cetogênica é uma opção não farmacológica. Após estabelecer as calorias da dieta, são calculadas as quantidades de macronutrientes, carboidratos (CHO), proteínas (PTN) e lipídeos (LIP), nas proporções 2:1, 3:1 e 4:1, referentes à quantidade de LIP em relação às quantidades de CHO e PTN somados, ou seja, LIP: CHO + PTN. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
A alternativa sustenta que apenas a afirmativa I estaria correta. De fato, a contagem de carboidratos é uma estratégia consagrada no diabetes mellitus pediátrico para ajustar a dose de insulina ao volume de carboidratos ingeridos e reduzir a variação glicêmica pós-prandial. O problema é que a afirmativa III também descreve uma medida aceita, pois a dieta cetogênica é opção não farmacológica na epilepsia infantil, com razões usuais de lipídeos para carboidratos mais proteínas.
- B)II, somente.
A alternativa afirma que somente a afirmativa II estaria certa. Ocorre que, na doença renal crônica, o acompanhamento de 25-hidroxivitamina D é pertinente, mas o ponto de corte para suplementação costuma ser deficiência/insuficiência abaixo de 30 ng/mL, e não 50 ng/mL. Assim, a própria formulação da II destoa dos consensos de nefrologia pediátrica e não sustenta essa escolha.
- C)III, somente.
A alternativa sustenta que apenas a afirmativa III estaria correta. A III está bem descrita: a dieta cetogênica é uma opção não farmacológica em epilepsia da infância, com esquemas clássicos em proporções de 2:1, 3:1 ou 4:1 de lipídeos em relação a carboidratos mais proteínas. Contudo, a I também está correta, porque a contagem de carboidratos é indicada no diabetes para individualizar a alimentação e o bolus de insulina.
- D)I e II, somente.
A alternativa reúne I e II como se essas fossem as afirmativas verdadeiras. A I procede, pois a contagem de carboidratos serve para relacionar ingestão e dose de insulina, melhorando o controle glicêmico; já a II erra ao fixar suplementação de vitamina D em nível inferior a 50 ng/mL, valor que não corresponde ao corte usual nos protocolos pediátricos. Além disso, a III também está correta, então o conjunto indicado fica incompleto.
- E)I e III, somente.
A alternativa acerta ao reunir as afirmativas I e III. A I está de acordo com o manejo do diabetes mellitus em crianças e adolescentes, em que a contagem de carboidratos flexibiliza a dieta e ajuda a ajustar a insulina para reduzir picos pós-prandiais; a III, por sua vez, descreve corretamente a dieta cetogênica como opção não farmacológica na epilepsia infantil, com razões de 2:1, 3:1 ou 4:1 de lipídeos para carboidratos mais proteínas. A II é a única que não se sustenta, porque o corte de suplementação de vitamina D na DRC não é 50 ng/mL.
Gabarito: E
Nesta questao, a ideia central e mostrar como a terapia nutricional muda conforme a doenca de base. Em diabetes mellitus, a contagem de carboidratos e uma estrategia muito usada para personalizar a alimentacao e ajustar a insulina, ajudando a reduzir picos de glicemia pos-prandial. Ou seja: menos chute, mais calculo, e o paciente ganha flexibilidade sem perder controle glicemico. Na doenca renal cronica, o cuidado com vitamina D existe, mas a afirmacao traz um ponto exagerado: o acompanhamento do 25-hidroxivitamina D pode ser indicado, porem o ponto de corte de 50 ng/mL nao e o parametro classico para suplementacao. Em geral, a conduta se baseia em valores mais baixos de insuficiencia/deficiencia, portanto a afirmacao II fica incorreta. Ja na epilepsia infantil, a dieta cetogenica e mesmo uma opcao nao farmacologica bem conhecida. Ela usa alta proporcao de lipideos em relacao a carboidratos e proteinas somados, com relacoes como 2:1, 3:1 e 4:1, exatamente como descrito. E uma medida de dieta que funciona como se estivesse dizendo ao cerebro: 'vamos trocar o combustivel'. Assim, ficam corretas as afirmativas I e III, e a alternativa certa e a letra E.