Um paciente internado foi submetido a procedimento para colocação de Balão Intra-Aórtico (BIA). Sobre esse procedimento, assinale a afirmativa correta.
- A)Um dos cuidados com o paciente com BIA é garantir que a perna em que está inserido o cateter, não seja fletida.
Certa: o membro com o cateter não deve ser fletido para evitar deslocamento do BIA e complicações vasculares.
- B)O objetivo primário desse cateter é a redução da pós-carga durante a diástole.
Errada: o BIA reduz a pós-carga na sístole, e não durante a diástole.
- C)O procedimento é indicado na insuficiência aórtica grave, no aneurisma de aorta e em coágulopatias.
Errada: insuficiência aórtica grave e aneurisma de aorta são contraindicações ao BIA, não indicações, e coagulopatia aumenta risco de sangramento.
- D)O objetivo secundário do procedimento é o aumento da perfusão coronariana durante a sístole.
Errada: o principal efeito é aumentar a perfusão coronariana na diástole, não na sístole.
- E)A cabeceira do leito deve ser mantida elevada, entre 45° e 60°, após a introdução do BIA.
Errada: após a introdução do BIA, não se recomenda cabeceira elevada a 45° a 60° como regra, pois isso pode favorecer mobilização do dispositivo.
Gabarito: A
O balão intra-aórtico (BIA) é um recurso de suporte circulatório usado, em geral, em situações de choque cardiogênico ou isquemia miocárdica importante. A lógica do dispositivo é simples e elegante: ele insufla na diástole e desinsufla na sístole, o que ajuda a melhorar a perfusão coronariana e a reduzir a resistência contra a qual o ventrículo esquerdo ejeta sangue. Ou seja, o balão trabalha no tempo certo para dar uma força ao coração sem fazer muita propaganda. Um cuidado clássico de enfermagem e monitorização é manter o membro onde o cateter foi inserido sem flexão, porque qualquer dobra pode deslocar o dispositivo, prejudicar a perfusão do membro ou até causar complicações vasculares. Além disso, costuma-se manter o paciente em repouso e com a cabeceira mais baixa ou controlada, conforme protocolo institucional, para evitar deslocamento do cateter. Por isso, a alternativa A está correta: a perna com o cateter não deve ser fletida. Esse é um cuidado prático, direto e muito cobrado em prova porque mistura técnica com segurança do paciente. Já as demais alternativas confundem o momento do ciclo cardíaco e os efeitos hemodinâmicos do balão. Em termos de base doutrinária, isso vem da fisiologia do método descrita nos manuais de cardiologia e terapia intensiva: insuflação na diástole aumenta a pressão diastólica aórtica e favorece a perfusão coronariana, enquanto a desinsuflação na sístole reduz a pós-carga. Se você lembrar dessa sequência, mata a questão sem sofrimento.