Ortopedista foi chamado a avaliar recém-nato nascido de parto normal cefálico demorado com necessidade do uso de fórceps. A mãe era saudável. Nos exames pré-natal apresentava VDRL negativo. No exame físico, o neném apresentava-se com o membro superior direito em rotação interna e com antebraço em pronação, indolor, o reflexo de Moro era assimétrico e o de preensão positivo bilateral. Em relação a este quadro clínico, assinale a afirmativa correta.
- A)O índice de recuperação espontânea e baixo.
Errada, porque a maioria das lesões obstétricas altas do plexo braquial tem recuperação espontânea parcial ou total relativamente frequente.
- B)o tratamento deverá ser iniciado nos primeiros dias.
Errada, porque o tratamento inicial é conservador e reabilitador, não havendo indicação de intervenção imediata nos primeiros dias na maioria dos casos.
- C)Traduz lesão das raízes baixas da coluna cervical.
Errada, porque o quadro sugere lesão das raízes altas do plexo braquial, especialmente C5-C6, e não das raízes baixas.
- D)Deve-se realizar eletroneuromiografia para o diagnóstico.
Errada, porque o diagnóstico é predominantemente clínico no recém-nascido, e a eletroneuromiografia não é exame obrigatório para definir o caso inicial.
- E)Recuperação da flexão do cotovelo em 3 meses é favorável.
Certa, porque a recuperação da flexão do cotovelo em até cerca de 3 meses é um marcador prognóstico favorável na paralisia obstétrica do plexo braquial.
Gabarito: E
O quadro descreve uma lesão do plexo braquial obstétrico, muito sugestiva de paralisia alta do tipo Erb-Duchenne, geralmente por tração do ombro e pescoço no parto difícil, com fórceps ou distocia. O bebê fica com o membro em rotação interna e antebraço pronado, porque perde principalmente a função de músculos inervados por C5-C6, como deltóide, supraespinal, bíceps e braquial. O detalhe mais importante do enunciado é a preservação da preensão palmar e o Moro assimétrico, o que ajuda a localizar a lesão acima dos segmentos que participam da preensão. Ou seja, não é um quadro de lesão baixa do plexo, e sim de comprometimento alto. Na prática, o diagnóstico é clínico, baseado no exame do recém-nascido, sem depender de eletroneuromiografia no início. O prognóstico costuma ser bom quando há recuperação precoce da função do cotovelo, especialmente da flexão. A recuperação da flexão do cotovelo em cerca de 3 meses é um sinal favorável, porque sugere regeneração funcional adequada e menor chance de sequela importante. Se a recuperação não vier, a criança precisa de seguimento especializado e avaliação para tratamento reabilitador ou até cirúrgico em casos selecionados. Em resumo: parto traumático, postura em rotação interna e pronação, preensão preservada e assimetria do Moro apontam para lesão alta do plexo braquial. O item correto é o que valoriza a recuperação da flexão do cotovelo em 3 meses como bom sinal prognóstico.