A focalização da luz ambiente periférica, concentrando em 20 vezes a sua incidência no limbo medial, pode implicar na(o)
- A)distrofia endotelial de Fuchs.
Errada: a distrofia endotelial de Fuchs é uma doença corneana endotelial, não relacionada ao mecanismo de focalização da luz periférica.
- B)acúmulo de cálcio da ceratopatia em faixa.
Errada: a ceratopatia em faixa está ligada ao depósito de cálcio na córnea, geralmente em contexto de doença crônica ocular, e não ao padrão de luz que favorece pterígio.
- C)desenvolvimento da pseudoexfoliação do cristalino.
Errada: a pseudoexfoliação é um depósito de material fibrilar associado ao cristalino e ao segmento anterior, sem relação com esse fenômeno de exposição luminosa limbar.
- D)padrão de crescimento peculiar do pterígio.
Certa: a focalização da luz periférica no limbo medial ajuda a explicar o padrão típico de crescimento nasal do pterígio.
- E)degeneração marginal de Terrien.
Errada: a degeneração marginal de Terrien é uma degeneração periférica corneana, mas não é causada por esse mecanismo de luz focalizada.
Gabarito: D
O pterígio é uma lesão fibrovascular que cresce da conjuntiva em direção à córnea, e o local mais clássico é o lado nasal. Isso não acontece por acaso: a luz periférica incide e é focalizada pelo formato do globo ocular, aumentando a energia sobre o limbo medial, o que ajuda a explicar por que essa área sofre mais agressão crônica. Na prática, esse efeito de concentração luminosa favorece dano repetido à conjuntiva e ao limbo, com proliferação tecidual progressiva. O resultado é aquela “asa” fibrovascular avançando sobre a córnea, muitas vezes com o ápice apontando para o centro corneano. Por isso, a alternativa correta é a que fala em desenvolvimento do pterígio. A ideia-chave da questão é ligar anatomia, exposição crônica à luz e o padrão nasal típico da lesão. É uma daquelas associações que a oftalmologia adora cobrar com cara de curiosidade, mas com fundamento bem real. As demais alternativas não têm relação com esse mecanismo de focagem da luz periférica no limbo medial. Elas pertencem a outras doenças da córnea, cristalino ou superfície ocular, sem essa assinatura topográfica característica do pterígio.