Homem 89 anos, hipertenso em uso de losartana 100 mg/dia, anlodipino 10 mg/dia, hidroclorotiazida 25mg/dia. Apresenta queixa de cansaço para fazer as atividades habituais, dispneia aos grandes esforços, anorexia e perda de peso, alteração do padrão do sono. No exame físico observa-se ritmo irregular, sugerindo fibrilação atrial confirmada pelo eletrocardiograma, discreta estertoração basal. Ecocardiograma com Doppler identifica uma fração de ejeção de 55%, disfunção diastólica grau I, átrio esquerdo com volume normal. Sua hipótese é a de
- A)insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.
Errada, porque a fração de ejeção está normal (55%), então não se trata de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.
- B)insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
Certa, pois há sintomas de insuficiência cardíaca, fração de ejeção preservada e disfunção diastólica, quadro típico de IC com FE preservada.
- C)doença coronariana aguda.
Errada, porque não há quadro de dor torácica, alterações isquêmicas descritas ou síndrome coronariana aguda no enunciado.
- D)miocardiopatia.
Errada, pois o ecocardiograma não sugere miocardiopatia dilatada ou outra cardiopatia estrutural primária como hipótese principal.
- E)infecção respiratória.
Errada, já que o quadro é cardiológico, com fibrilação atrial, estertores e achado ecocardiográfico compatíveis com insuficiência cardíaca.
Gabarito: B
Neste caso, o ponto central é reconhecer insuficiência cardíaca a partir de sintomas e sinais de congestão, mas com fração de ejeção preservada. O paciente tem cansaço, dispneia aos esforços, estertores basais e fibrilação atrial, tudo isso em um idoso hipertenso, perfil bem clássico de disfunção cardíaca diastólica. O ecocardiograma ajuda a fechar o raciocínio: fração de ejeção de 55% não aponta para falência sistólica, e a disfunção diastólica grau I mostra dificuldade de relaxamento do ventrículo esquerdo, mecanismo típico da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. Em outras palavras, o coração ainda ejeta bem, mas enche mal. A presença de átrio esquerdo com volume normal não muda o quadro principal aqui, porque os sintomas e o Doppler já sustentam a hipótese. Em idosos hipertensos, a hipertrofia e a rigidez ventricular costumam ser os grandes vilões, muitas vezes acompanhados de fibrilação atrial, que piora ainda mais o enchimento ventricular. Por isso, o gabarito é a alternativa B. A ideia mais importante para a prova é esta: insuficiência cardíaca não exige fração de ejeção reduzida; se houver clínica compatível e evidência de disfunção diastólica, a forma preservada entra forte na jogada.