A respeito dos protocolos de tratamento quimioterápico das leucemias mieloides agudas, assinale a afirmativa correta.
- A)A cladribina pode ser usada como esquema de segunda linha nas tricoleucemias.
Errada: cladribina não é esquema padrão de segunda linha nas tricoleucemias, onde o tratamento clássico envolve análogos de purina como pentostatina ou cladribina em contextos específicos, mas não nessa formulação de forma geral.
- B)O esquema de indução pode incluir citarabina e idarrubicina ou daunorrubicina.
Certa: a indução da LMA pode ser feita com citarabina associada a uma antraciclina, como daunorrubicina ou idarrubicina.
- C)O tri-óxido de arsênio pode ser usado como tratamento de primeira linha nos subtipos M1, M2 e M3 das leucemias agudas.
Errada: o trióxido de arsênio é especialmente associado ao tratamento da leucemia promielocítica aguda (M3), e não como primeira linha para os subtipos M1, M2 e M3 de modo amplo.
- D)O transplante alogênico de medula óssea está indicado no tratamento de consolidação das leucemias mieloides agudas sempre que houver doador compatível.
Errada: transplante alogênico não é indicado sempre na consolidação; ele depende de estratificação de risco, resposta ao tratamento e disponibilidade de doador, entre outros fatores.
- E)A azacitidina está indicada nas leucemias linfoblásticas agudas.
Errada: azacitidina é usada principalmente em síndromes mielodisplásicas e algumas leucemias mieloides em contextos específicos, não em leucemia linfoblástica aguda.
Gabarito: B
Nas leucemias mieloides agudas, o esquema clássico de indução costuma combinar uma antraciclina com citarabina. Na prática, isso aparece como citarabina associada a daunorrubicina ou idarrubicina, que são opções consagradas para tentar derrubar a carga leucêmica logo de início. É a velha ideia do tratamento intensivo: primeiro reduzir a doença, depois pensar na consolidação. A lógica do protocolo é bem conhecida em hematologia: indução para obter remissão, depois consolidação para manter o controle e diminuir recaída. Em alguns subtipos, como a LPA, o tratamento muda bastante e envolve agentes específicos, mas isso não vale para a maior parte das LMA. Então, não é qualquer droga “moderna” que entra no esquema inicial de qualquer mieloide aguda. Por isso, o item B está correto: o esquema de indução pode incluir citarabina e idarrubicina ou daunorrubicina. Essa associação é um padrão clássico nos protocolos de LMA, justamente por unir uma droga fase-específica com uma antraciclina, que ajuda a aumentar a eficácia da indução. As demais alternativas misturam indicações de outras doenças, fases erradas do tratamento ou drogas com uso bem mais restrito. Em prova, a FGV gosta desse tipo de troca sutil: joga um remédio verdadeiro, mas na doença errada, ou no momento terapêutico errado.