Jovem de 23 anos começou a apresentar dor nas costas há várias semanas, acompanhada de febre vespertina e emagrecimento. A dor passou de leve a moderada sem melhora com analgésicos. Na consulta com o ortopedista foi identificada escoliose antálgica, e cifose torácica. No exame físico não apresentava lesões cutâneas, mas apresentava paresia dos membros inferiores. Apresentava ao exame radiográfico imagem densa no ápice pulmonar e imagem fusiforme paravertebral no segmento torácico com encunhamento de 3 vértebras, devido à destruição óssea com comprometimento dos discos intervertebrais. Em relação a este quadro clínico, podemos afirmar que se trata de uma doença
- A)infecciosa, provavelmente tuberculose osteoarticular.
Correta: o conjunto de sintomas constitucionais, destruição de vértebras com comprometimento discal e abscesso paravertebral é típico de tuberculose osteoarticular da coluna.
- B)tumoral, provavelmente tumoração maligna primária.
Errada: tumor primário maligno até pode destruir osso, mas o comprometimento de disco intervertebral e o padrão infeccioso com febre vespertina favorecem infecção.
- C)infecciosa, provavelmente sífilis osteoarticular.
Errada: sífilis osteoarticular não é a hipótese clássica para esse padrão radiológico e clínico de coluna com abscesso paravertebral e colapso vertebral.
- D)tumoral, provável tumoração maligna secundária.
Errada: metástase costuma poupar o disco intervertebral e não explica tão bem o quadro constitucional infeccioso e o abscesso fusiforme paravertebral.
- E)tumoral, provavelmente tumoração benigna primária.
Errada: lesões benignas primárias geralmente não cursam com destruição extensa, comprometimento discal, deformidade em múltiplas vértebras e déficit neurológico.
Gabarito: A
O quadro descreve uma espondilite infecciosa, muito sugestiva de tuberculose osteoarticular da coluna, também chamada doença de Pott. Em prova, a combinação de dor lombar ou torácica progressiva, febre vespertina, emagrecimento e piora funcional já acende a luz amarela. Se vier junto escoliose antálgica, cifose e déficit neurológico, o suspeito fica ainda mais forte. Na tuberculose vertebral, o bacilo atinge preferencialmente os corpos vertebrais e os discos intervertebrais, levando à destruição óssea, colapso vertebral e deformidade em cunha. A imagem fusiforme paravertebral corresponde muito bem a abscesso frio, achado clássico da doença. A compressão medular explica a paresia dos membros inferiores, que é uma complicação temida. O detalhe da imagem densa no ápice pulmonar ajuda a fechar o raciocínio, porque sugere foco pulmonar tuberculoso associado. Então o caso não tem cara de tumor primário ou metastático: tem cara de infecção crônica, com evolução arrastada, sintomas constitucionais e destruição de disco e vértebras. Em resumo, a banca está cobrando o padrão clássico de tuberculose osteoarticular da coluna. Se você viu febre baixa, emagrecimento, deformidade progressiva e acometimento de disco, pense em Pott antes de sair caçando neoplasia. Na prática e na prova, essa é uma daquelas associações que costumam render ponto fácil para quem reconhece o desenho clínico.