Na insuficiência cardíaca, determinados marcadores podem indicar a necessidade de refletir sobre terminalidade e preferências. Sobre esta necessidade, assinale a afirmativa incorreta.
- A)PPS (escala funcional em cuidados paliativos) < 50, disfunção orgânica associada (principalmente síndrome cardiorrenal) e descompensações cardíacas frequentes.
Certa, porque PPS abaixo de 50, disfunção orgânica e descompensações frequentes são sinais clássicos de insuficiência cardíaca avançada.
- B)Dispneia aos mínimos esforços, hipoalbuminemia, hiponatremia, uso crescente de diuréticos e necessidade de inotrópicos.
Certa, pois dispneia aos mínimos esforços, hiponatremia, hipoalbuminemia e necessidade de inotrópicos indicam piora importante e mau prognóstico.
- C)Fração de ejeção de 30%, controle adequado dos sintomas e disfunção renal crônica sem necessidade dialítica.
Errada, porque fração de ejeção reduzida isolada não define terminalidade, e sintomas controlados com rim crônico sem diálise não sustentam, por si, esse grau de gravidade.
- D)Internações frequentes, PPS < 50, dispneia aos mínimos esforços, uso de diuréticos e inotrópicos via parenteral.
Certa, já que internações frequentes, PPS baixo, dispneia intensa e uso de inotrópicos parenterais sugerem doença avançada e refratariedade.
- E)Idoso, sintomas de difícil controle, PPS < 30 e caquexia.
Certa, porque idade avançada, caquexia, PPS abaixo de 30 e sintomas difíceis de controlar são marcadores fortes de fase terminal.
Gabarito: C
Na insuficiência cardíaca avançada, a ideia não é olhar só para a fração de ejeção e parar por aí. O que costuma acender a luz amarela é o conjunto: piora funcional importante, sintomas em repouso ou aos mínimos esforços, internações repetidas, necessidade crescente de diuréticos, uso de inotrópicos, hiponatremia, hipoalbuminemia, caquexia e disfunção orgânica associada, especialmente a síndrome cardiorrenal. Nesse cenário, vale refletir sobre prognóstico, terminalidade e preferências do paciente, com foco em cuidado paliativo e planejamento antecipado de decisões. A lógica é bem prática: quando o coração já não consegue manter estabilidade e o corpo começa a cobrar a conta em vários órgãos, a pergunta deixa de ser apenas "qual remédio eu aumento?" e passa a ser "o que faz sentido para esse paciente agora?". Escalas como o PPS ajudam a medir declínio funcional, e valores baixos sugerem pior prognóstico e maior necessidade de alinhar metas de cuidado. O gabarito é a alternativa C porque ela mistura um dado isolado, a fração de ejeção de 30%, com um quadro que, por si só, não sugere terminalidade: controle adequado dos sintomas e insuficiência renal crônica sem necessidade dialítica. Fração de ejeção reduzida não define sozinha a gravidade terminal, já que o que pesa mais aqui é a repercussão clínica, funcional e orgânica. Em outras palavras, 30% pode ser grave, mas não basta para apontar, isoladamente, a necessidade de refletir sobre fim de vida se o paciente está compensado. As demais alternativas descrevem justamente um perfil de insuficiência cardíaca avançada, com piora funcional, descompensações frequentes e marcadores de mau prognóstico. É esse conjunto de sinais que orienta a conversa sobre terminalidade, e não um número solto no ecocardiograma.