Paciente de 28 anos, realizou ultrassonografia mamária há 1 mês. Nega quaisquer sintomas mamários ou sistêmicos. Nega antecedentes pessoais ou familiares dignos de nota. Trouxe laudo ultrassonográfico: presença de nódulos hipoecóicos, ovalados, com maior eixo paralelo a pele, margens circunscritas e sem sombra acústica posterior, assim localizados: Mama direita: 9 horas medindo 0,8x0,6x0,4 cm distando 2 cm da pele e 1 cm do complexo aréolo-papilar. Mama esquerda: 6 horas medindo 0,6x0,5x0,3 cm distando 1,1 cm da pele e 1,5 cm do complexo aréolo-papilar. Sobre os achados ultrassonográficos, assinale a afirmativa correta.
- A)Possuem classificação BIRADS 3 e a conduta exigida para estes casos consiste na exérese cirúrgica dos nódulos.
Errada, porque BI-RADS 3 não exige exérese cirúrgica; a conduta usual é seguimento por imagem, não retirada obrigatória.
- B)Possuem classificação BIRADS 2 e a conduta mais adequada é a repetição do exame em 12 meses
Errada, porque os achados descritos não fecham BI-RADS 2, e a repetição em 12 meses é menos adequada do que o controle mais próximo do BI-RADS 3.
- C)Possuem classificação BIRADS 3 e a conduta pode ser expectante com exame semestral para avaliar estabilidade do nódulo.
Certa, porque o padrão ultrassonográfico é de lesão provavelmente benigna, com conduta expectante e reavaliação semestral.
- D)Possuem classificação BIRADS 3 e a conduta mandatória é solicitar uma punção de agulha fina para diagnóstico histológico
Errada, porque a punção não é mandatória em lesão com aspecto provavelmente benigno e sem sinais de suspeição que indiquem diagnóstico invasivo imediato.
- E)Possuem classificação BIRADS 2 e a conduta mais adequada é expectante com reavaliação semestral.
Errada, porque BI-RADS 2 é reservado a achados inequivocamente benignos, e o acompanhamento semestral é mais compatível com BI-RADS 3.
Gabarito: C
Os achados descritos na ultrassonografia são bem típicos de lesão provavelmente benigna: nódulo hipoecóico, ovalado, com maior eixo paralelo à pele, margens circunscritas e sem sombra acústica posterior. Esse conjunto de características costuma apontar para fibroadenoma ou outro nódulo provavelmente benigno, o que leva à classificação BI-RADS 3, e não BI-RADS 2, porque não é um achado inequivocamente benigno. No BI-RADS 3, a conduta não é sair retirando tudo nem pedir biópsia para todo mundo. A lógica é vigilância: acompanhamento por imagem em curto intervalo, em geral a cada 6 meses, para verificar estabilidade. Se o nódulo ficar estável, segue o acompanhamento até completar a segurança esperada; se crescer ou mudar de aspecto, aí sim a investigação avança. Perceba a pegadinha clássica: lesão provavelmente benigna não é sinônimo de lesão definitivamente benigna. O BI-RADS 2 fica para achados com certeza de benignidade, como cisto simples, linfonodo intramamário típico ou calcificações vasculares. Aqui, o exame “parece bonzinho”, mas ainda pede controle, justamente por isso o gabarito é a alternativa C. Em prova, pense assim: BI-RADS 3 é o terreno do “vamos observar com carinho”, enquanto a biópsia fica reservada para suspeita maior. A mamografia/US de controle semestral é o caminho clássico quando o risco é baixo e a imagem não tem sinais francamente suspeitos.