Assinale a opção que indica a conduta correta no trauma de face, nas diferentes situação relacionadas a seguir.
- A)A laceração do duto parotídeo pode resultar em sialocele, que deve ser tratada cirurgicamente, de maneira imediata ao diagnóstico.
Errada, porque a sialocele por lesão do duto parotídeo não exige, em regra, cirurgia imediata ao diagnóstico, sendo comum tratamento conservador ou abordagem conforme a evolução.
- B)Quando há lesão do nervo facial, se o reparo primário do nervo não for possível, deve-se proceder à enxertia nervosa imediata.
Certa, porque na lesão do nervo facial a prioridade é o reparo primário precoce e, se ele não for possível, indica-se enxertia nervosa imediata.
- C)Deve-se suspeitar de lesão do duto parotídeo, quando há injúria do ramo zigomático do nervo facial e tratá-la imediatamente.
Errada, porque a lesão do ramo zigomático do facial não é o sinal clássico para suspeitar de lesão do duto parotídeo, e o tratamento não é simplesmente "imediato" como regra geral.
- D)Em caso de suspeita da lesão do nervo facial, deve-se aguardar 48 horas para abordagem, iniciando-se antibioticoterapia venosa imediata, já que a infecção é a principal causa de falha cirúrgica.
Errada, porque não se deve aguardar 48 horas nem iniciar antibiótico venoso como conduta padrão para suspeita de lesão do nervo facial; o foco é avaliação e reparo precoce.
- E)A laceração de um ramo bucal costuma ser, clinicamente, aparente, porém irreversível devido às poucas interconexões.
Errada, porque a lesão de ramo bucal pode ser clinicamente sutil e nem sempre é irreversível, já que o nervo facial tem ramos com interconexões variáveis.
Gabarito: B
No trauma de face, o raciocínio correto é sempre pensar em preservação de função: saliva, mímica facial e fechamento adequado das lesões. As estruturas que mais geram dúvida aqui são o duto parotídeo e o nervo facial, porque lesões pequenas podem passar batido e depois virar um problema funcional chato, daqueles que não melhoram sozinhos. Se houver secção do nervo facial, a prioridade é reparar o nervo primariamente, de forma precoce. Quando isso não for possível por perda de segmento ou afastamento dos cotos, a conduta é fazer enxertia nervosa imediata, para não perder a janela de melhor recuperação. Essa é a lógica da alternativa B e o ponto central cobrado pela FGV. Já a lesão do duto parotídeo costuma ser suspeitada quando existe ferimento na trajetória do ducto, especialmente em lacerações sobre a linha imaginária entre o trago e o lábio superior. O manejo depende da extensão da lesão e não é simplesmente "operar tudo imediatamente". Sialocele e fístula salivar podem ocorrer depois, e o tratamento costuma ser escalonado, não uma corrida cirúrgica obrigatória em todo caso. Em resumo: trauma de face pede atenção anatômica e abordagem precoce, mas cada estrutura tem sua regra. Para nervo facial, se não dá para suturar de ponta a ponta, faz-se enxertia imediata; para o restante, cuidado com generalizações que a prova adora transformar em pegadinha.