Paciente do sexo masculino, de 70 anos de idade, é submetido à colonoscopia com ressecção de lesão plano-elevada com 20mm de diâmetro e superfície granular situada no cólon esquerdo, por técnica de mucosectomia com alça diatérmica. - Foi verificada a presença de imagem em alvo – correspondendo ao tipo III da Classificação de Sidney para Injúria Parietal Profunda – tanto no sítio de ressecção como no espécime ressecado. - Sobre este achado, é correto afirmar que
- A)significa ressecção incompleta da lesão.
Errada: a imagem em alvo não significa ressecção incompleta, e sim injúria parietal profunda durante o procedimento.
- B)indica invasão maciça da submucosa.
Errada: não é sinônimo de invasão maciça da submucosa, mas de dano profundo na parede colônica relacionado à ressecção.
- C)corresponde à perfuração colônica de indicação cirúrgica.
Errada: ainda não se trata obrigatoriamente de perfuração franca com indicação cirúrgica, pois a lesão pode ser tratada endoscopicamente.
- D)deve ser tratado pelo fechamento da ferida com clips metálicos.
Certa: o manejo indicado é o fechamento imediato da lesão com clips metálicos para prevenir perfuração e complicações tardias.
- E)não há indicação de intervenção terapêutica imediata, apenas observação clínica em ambiente hospitalar.
Errada: observação isolada em hospital não é a conduta ideal quando a injúria profunda é reconhecida no momento, pois deve haver fechamento imediato.
Gabarito: D
Na mucosectomia, o que assusta não é só o sangramento: é a injúria parietal profunda, que pode passar despercebida e depois cobrar a conta. A Classificação de Sidney para Injúria Parietal Profunda ajuda a identificar esse risco durante a ressecção endoscópica. Quando aparece a chamada "imagem em alvo" no sítio de ressecção e também no espécime, isso corresponde ao tipo III, um sinal de lesão profunda da parede intestinal, com necessidade de tratamento endoscópico imediato. Na prática, o conduta correta é fechar a área com clips metálicos. Isso reduz o risco de piora da lesão e de perfuração tardia. Em lesão reconhecida no ato, a endoscopia muitas vezes resolve sem cirurgia, desde que o fechamento seja adequado e o paciente seja monitorado. Ou seja: não é para "esperar para ver" como se nada tivesse acontecido, nem para chamar o cirurgião correndo em todo caso. A pegadinha da questão é que a imagem em alvo não significa simplesmente ressecção incompleta e também não quer dizer, por si só, perfuração franca já cirúrgica. Ela indica injúria profunda da parede, que deve ser manejada imediatamente com clips. Esse é o raciocínio clássico cobrado em prova: reconhecer a complicação no momento certo muda completamente o desfecho.