Paciente com trombocitopenia (75.000 plaquetas), passado de úlcera gástrica, apresentando quadro de dor somática (nociceptiva) pós-trauma. Diz que usou por conta própria AINES, com grande melhora. Assinale a opção que indica a conduta inicial, baseado na escada analgésica da OMS.
- A)Dipirona + Aines
Errada, porque associa dipirona a AINE não seletivo, o que aumenta risco de sangramento e lesão gástrica em quem tem trombocitopenia e úlcera prévia.
- B)Dipirona + Aines COX 2
Certa, pois combina analgésico não opioide com AINE COX-2 seletivo, opção mais segura para o estômago e menos prejudicial às plaquetas.
- C)Dipirona + Aines + Bloqueador H2
Errada, porque o bloqueador H2 não corrige o principal problema do AINE não seletivo, que é o risco gastrointestinal e hematológico.
- D)Dipirona + Aines + Análogo de Prostaglandina
Errada, porque análogo de prostaglandina pode proteger a mucosa, mas não resolve a escolha inadequada de um AINE não seletivo em paciente com risco de sangramento.
- E)Dipirona + Corticoide
Errada, porque corticoide não é a conduta inicial para dor nociceptiva pós-trauma e ainda pode piorar a proteção gástrica.
Gabarito: B
Na escada analgésica da OMS, a ideia é começar pelo degrau mais simples que dê conta da dor: primeiro não opioides, depois associações e, se precisar, opioides. Aqui a dor é somática, pós-trauma, então faz sentido começar com analgésicos comuns. O detalhe importante é que o paciente já chega com dois alertas vermelhos para AINE tradicional: trombocitopenia e antecedente de úlcera gástrica. Os AINEs não seletivos inibem COX-1 e COX-2. Isso melhora a dor, mas também reduz prostaglandinas protetoras da mucosa e ainda atrapalha a função plaquetária, o que é péssimo para quem já tem plaquetas baixas e história de sangramento digestivo. Ou seja: o remédio até ajuda, mas cobra juros altos do estômago e da hemostasia. A melhor opção entre as alternativas é usar um AINE COX-2 seletivo junto com dipirona. Os COX-2 seletivos preservam mais a COX-1, então têm menor agressão gástrica e menor efeito sobre plaquetas quando comparados aos AINEs tradicionais. Por isso, dentro do que a questão oferece, a alternativa B é a mais segura e coerente com a escada analgésica da OMS. Resumo de prova: dor nociceptiva - começa em analgésico não opioide; risco gastrointestinal e plaquetário - fuja do AINE comum; se a banca quer uma saída com anti-inflamatório, o caminho é o COX-2 seletivo.