Sobre gestação e distúrbios do sono, assinale a afirmativa incorreta.
- A)É comum a prevalência da pré-eclampsia com apneia obstrutiva do sono.
Certa: há associação entre apneia obstrutiva do sono e pré-eclâmpsia, com prevalência aumentada de distúrbios respiratórios do sono nessas gestantes.
- B)Durante a gravidez, é comum a associação das alterações do sono como consequência das alterações hormonais típicas desta fase.
Certa: as alterações hormonais da gravidez frequentemente provocam mudanças no padrão do sono, com maior fragmentação e pior qualidade do descanso.
- C)O uso de CPAP pode beneficiar gestantes com ronco, apneias obstrutivas e com hipertensão arterial sistêmica, diminuindo seus níveis pressóricos.
Certa: o CPAP pode beneficiar gestantes com apneia obstrutiva e também ajudar no controle da pressão arterial em casos selecionados.
- D)No primeiro trimestre da gestação predomina sonolência por aumento dos níveis de progesterona.
Certa: no primeiro trimestre, a progesterona contribui para sonolência e maior sensação de fadiga.
- E)A prevalência da síndrome das pernas inquietas é maior em não gestantes que em gestantes.
Errada: a síndrome das pernas inquietas é mais frequente em gestantes do que em não gestantes, principalmente nos estágios finais da gravidez.
Gabarito: E
Durante a gestação, o sono costuma virar uma pequena novela: hormônios, ganho de peso, refluxo, congestão nasal e desconfortos mecânicos alteram a arquitetura do sono. Por isso, ronco, apneia obstrutiva, sonolência diurna e síndrome das pernas inquietas podem aparecer ou piorar nesse período. A progesterona, por exemplo, favorece sonolência no início da gravidez, o que ajuda a entender por que o primeiro trimestre frequentemente vem com mais cansaço e mais vontade de dormir. A apneia obstrutiva do sono também merece atenção porque se associa a hipertensão e pré-eclâmpsia, e o CPAP pode ser útil em gestantes com ronco e apneias, inclusive ajudando no controle pressórico em alguns casos. Aqui, a lógica clínica é simples: melhorar a ventilação noturna tende a reduzir sofrimento materno e complicações associadas. O ponto que derruba a questão é a síndrome das pernas inquietas. Na gestação, a prevalência dessa síndrome é maior do que em não gestantes, especialmente no terceiro trimestre, muito relacionada a alterações de ferro e mudanças fisiológicas da gravidez. Portanto, dizer que ela é mais comum em não gestantes está errado, e é esse o motivo do gabarito.