Paciente de 70 anos, coronariopata, histórico de revascularização miocárdica há 2 anos, em uso de ácido acetil salicílico (AAS), necessita realizar broncoscopia para diagnóstico de massa pulmonar. Sobre a orientação em relação ao uso de antiagregantes plaquetários para procedimentos broncoscópicos, assinale a afirmativa correta.
- A)O uso de AAS deve ser sempre interrompido com pelo menos 7 dias de antecedência.
Errada: o AAS não precisa ser sempre interrompido antes da broncoscopia, especialmente nos procedimentos de baixo risco.
- B)A dupla anti-agregação (AAS e clopidogrel) não está relacionada a maior risco de sangramento.
Errada: a dupla antiagregação aumenta, sim, o risco de sangramento em procedimentos broncoscópicos, sobretudo se houver biópsia.
- C)O uso de AAS não precisa ser interrompido antes de procedimentos broncoscópicos.
Certa: o AAS, em geral, pode ser mantido antes de procedimentos broncoscópicos de baixo risco de sangramento.
- D)O uso de clopidogrel não precisa ser interrompido antes de procedimentos broncoscópico.
Errada: o clopidogrel costuma ser suspenso antes de broncoscopia com biópsia, por aumentar o risco hemorrágico.
- E)O lavado broncoalveolar está relacionado a importantes complicações de sangramento.
Errada: o lavado broncoalveolar é um procedimento de baixo risco de sangramento, não sendo associado a complicações importantes nesse aspecto.
Gabarito: C
Na broncoscopia, a primeira pergunta prática é: o procedimento vai ter biópsia ou é algo de baixo risco, como lavado broncoalveolar? Isso muda bastante a conversa sobre sangramento. Em geral, o ácido acetilsalicílico (AAS) pode ser mantido, porque não costuma aumentar de forma relevante o risco de sangramento em broncoscopias diagnósticas rotineiras. Já o clopidogrel é outra história: ele tem efeito antiplaquetário mais forte para esse cenário e, quando há biópsia endobrônquica ou transbrônquica, costuma ser suspenso com antecedência, normalmente por cerca de 5 a 7 dias, por aumento de sangramento. A dupla antiagregação também eleva mais o risco hemorrágico, então não é algo para ignorar. O lavado broncoalveolar, por sua vez, é considerado procedimento de baixo risco de sangramento. Ou seja, não é ele o vilão da história, apesar de o nome parecer bem dramático. O grande cuidado mesmo é com procedimentos mais invasivos, especialmente se houver biópsia. Por isso, o gabarito correto é a alternativa C: o AAS não precisa ser interrompido antes de procedimentos broncoscópicos de baixo risco. Esse é o entendimento adotado em recomendações pneumológicas e de perioperatório: manter AAS costuma ser seguro, enquanto a suspensão fica reservada para situações com maior risco de sangramento e sempre ponderando o risco trombótico do paciente.