Uma realidade na vida profissional dos cirurgiões vasculares são as complicações do Diabetes. Sobre a Neuroartropatia de Charcot, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Esta neuroartropatia afeta somente ossos dos pés.
Errada, porque a neuroartropatia de Charcot não acomete somente ossos dos pés, podendo atingir outras articulações, embora o pé seja o local mais comum no diabetes.
- B)É caracterizada por inflamação na fase mais inicial e leva à destruição das articulações no paciente com neuropatia periférica.
Certa, pois o quadro começa com inflamação e evolui para destruição articular em pacientes com neuropatia periférica.
- C)A principal morbidade é a deformidade decorrente, que pode levar a proeminências ósseas plantares, predispondo ulcerações, infecções e amputações.
Certa, já que a deformidade resultante é a principal morbidade e aumenta o risco de úlceras, infecções e amputações.
- D)O seu diagnóstico é principalmente baseado nos achados clínicos e deverá ser confirmado com exames de imagem.
Certa, porque o diagnóstico é sobretudo clínico e a imagem é usada para confirmar e estadiar as alterações.
- E)A radiografia deverá ser o exame inicial para avaliar fraturas e subluxações nos pés.
Certa, pois a radiografia costuma ser o exame inicial para pesquisar fraturas, subluxações e deformidades nos pés.
Gabarito: A
A neuroartropatia de Charcot, ou artropatia neuropática, é uma complicação clássica do diabetes em pessoas com neuropatia periférica. O problema central é a perda da sensibilidade protetora: a pessoa continua andando e repetindo microtraumas, mas não percebe bem a agressão, e isso vai levando a inflamação, instabilidade articular, fraturas, subluxações e deformidades. No início, o pé pode ficar quente, inchado e avermelhado, o que às vezes confunde com celulite ou trombose. Aí mora a pegadinha: o quadro é muito famoso nos pés, mas não fica restrito a ossos dos pés. A artropatia de Charcot pode acometer outras articulações em pacientes com neuropatia, como tornozelo, joelho e até coluna, embora o pé seja o local mais comum no diabetes. Por isso, a alternativa A é a incorreta. As demais estão de acordo com a descrição clínica clássica: doença inflamatória inicial, destruição articular, deformidade com risco de úlceras e diagnóstico baseado principalmente na clínica, com confirmação por imagem. Na prática, a radiografia costuma ser o primeiro exame para procurar fraturas, desalinhamentos e subluxações, e a ressonância pode ajudar quando o raio-X ainda não mostra tudo.