Para a prevenção da transmpissão transfusional das infecções por HIV, HBV e HCV, as normas brasileiras exigem a realização de exames sorológicos e moleculares. Os resultados dos testes para HIV obtidos em um doador de sangue, que nunca recebeu tratamento para a infecção, foram os seguintes: - Pesquisa de anti-HIV: negativo - Teste molecular: positivo Assinale a opção que apresenta a explicação correta para estes resultados.
- A)Teste sorológico de baixa sensibilidade e/ou má qualidade.
Errada, porque a positividade molecular mostra que o vírus está presente; o problema não é apenas um teste sorológico ruim.
- B)Infecção adquirida recentemente.
Certa, pois esse padrão é típico de infecção recente, ainda na janela imunológica, antes da soroconversão.
- C)O doador é o chamado “controlador de elite” do vírus HIV.
Errada, porque o controlador de elite tem baixa replicação viral e não explica bem sorologia negativa com NAT positivo nesse contexto.
- D)Uso de profilaxia antirretroviral pré-exposição.
Errada, porque PrEP pode alterar o risco de infecção, mas não é a explicação clássica para anti-HIV negativo com teste molecular positivo.
- E)Resultado do teste molecular inconfiável.
Errada, porque o teste molecular positivo é justamente o dado mais forte da presença viral, não um achado que você despreza de saída.
Gabarito: B
Na triagem de doadores de sangue, o objetivo é reduzir ao máximo a janela imunológica, isto é, o intervalo em que a pessoa já tem o vírus, mas ainda não produziu anticorpos detectáveis. Por isso, no Brasil, a hemoterapia utiliza testes sorológicos e moleculares para HIV, HBV e HCV, justamente para pegar infecções muito recentes. Aqui, o anti-HIV veio negativo, mas o teste molecular foi positivo. Esse padrão é clássico de infecção recente, antes da soroconversão. Em outras palavras: o vírus já está presente no sangue, mas o organismo ainda não “levantou a plaquinha” dos anticorpos. É a cara da fase inicial da infecção aguda. Isso afasta a ideia de simples falha do exame sorológico, porque o molecular detecta diretamente o material genético viral e costuma positivar antes do anti-HIV. Também não sugere controlador de elite, pois esse paciente costuma ter carga viral muito baixa, não positiva de forma isolada por NAT em um doador assintomático sem tratamento. Em prova, guarde a lógica: anti-HIV negativo + teste molecular positivo = janela diagnóstica, ou infecção adquirida recentemente. É o tipo de questão que a banca gosta de vestir de mistério, mas a pista está exatamente nessa discordância entre sorologia e molecular.