Para a prescrição de um inibidor de acetilcolinesterase (IChE) para o paciente com diagnóstico de Doença de Alzheimer, devemos considerar que
- A)a rivastigmina requer a redução da dose à metade na presença de clearance de creatinina menor ou igual 50 mL/min.
Errada: a rivastigmina não tem essa regra de reduzir a dose à metade apenas por clearance de creatinina <= 50 mL/min.
- B)IChE tem efeito vagotônico podendo causar bradicardia ou bloqueio mesmo em paciente sem história de cardiopatia.
Certa: os IChE têm efeito vagotônico e podem causar bradicardia ou bloqueio atrioventricular mesmo sem cardiopatia prévia.
- C)galantamina é segura para uso na presença de insuficiência renal severa.
Errada: galantamina não é considerada segura na insuficiência renal severa, podendo exigir ajuste ou ser evitada.
- D)na presença de doença hepática a prescrição de donepezila está contraindicada.
Errada: doença hepática não torna a donepezila automaticamente contraindicada, embora possa exigir cautela clínica.
- E)em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica devemos optar por prescrever galantamina.
Errada: DPOC não indica escolher galantamina como regra, porque os IChE podem piorar efeitos colinérgicos respiratórios.
Gabarito: B
Os inibidores da acetilcolinesterase usados na Doença de Alzheimer - donepezila, rivastigmina e galantamina - aumentam a disponibilidade de acetilcolina no sistema nervoso central, mas também podem agir fora do cérebro. Por isso, antes de prescrever, você precisa pensar no paciente inteiro: coração, pulmão, fígado e rim. Em concurso, a banca adora trocar um detalhe de farmacologia por uma “pegadinha clínica”. O ponto central é que esses fármacos têm efeito vagotônico. Na prática, isso pode reduzir a frequência cardíaca e precipitar bradicardia, síncope ou até bloqueio atrioventricular, mesmo em pessoas sem cardiopatia conhecida. Então, se o paciente já usa beta-bloqueador, tem história de tontura ou pulso baixo, a atenção deve ser redobrada. A rivastigmina não exige essa regra de “metade da dose” por creatinina <= 50 mL/min, então a alternativa A erra. A galantamina não é a opção “segura” na insuficiência renal severa, porque pode precisar de ajuste importante ou até ser evitada. Donepezila não fica automaticamente contraindicada em doença hepática, embora a cautela seja importante. E DPOC também não faz da galantamina a escolha preferencial como regra geral. Resumo de prova: os IChE podem causar efeitos colinérgicos sistêmicos, e o mais cobrado é o risco cardiovascular por bradicardia e bloqueio. É exatamente por isso que a letra B está correta.