As infecções do sítio cirúrgico (ISC) são as maiores fontes de morbidade e mortalidade entre os pacientes submetidos a cirurgia. Sobre o tratamento dessas infecções, assinale a afirmativa correta.
- A)A infecção da ferida cirúrgica deve ser tratada com abertura dos pontos da pele e ressecção dos tecidos desvitalizados.
Correta: a conduta básica da ISC é abrir a ferida, permitir drenagem e remover tecido desvitalizado.
- B)É imprescindível a utilização de antibióticos venosos independentemente de haver sinais de sepse.
Errada: antibiótico venoso não é obrigatório em todos os casos, sendo reservado para quadros com maior gravidade ou sinais sistêmicos.
- C)A oxigenação hiperbárica deve ser usada antes do desbridamento visando à diminuição da área a ser ressecada.
Errada: oxigenação hiperbárica não é etapa padrão e não deve anteceder o desbridamento como regra.
- D)Após a abertura ampla da ferida infectada deve-se sempre usar drenos.
Errada: dreno não deve ser usado sempre após abrir a ferida; a decisão depende do caso e da necessidade de drenagem.
- E)A irrigação contínua com solução salina, acrescida de uma solução antisséptica da ferida infectada, acelera a cicatrização.
Errada: irrigação contínua com antissépticos não acelera de forma rotineira a cicatrização e pode até irritar o tecido.
Gabarito: A
A infecção do sítio cirúrgico costuma ser tratada, antes de tudo, com controle do foco: abrir a ferida, drenar o material purulento, remover tecido desvitalizado e permitir que o local fique bem descomprimido e limpo. Em outras palavras, a prioridade não é “tampar e rezar”, e sim deixar a infecção sair e o tecido viável se recuperar. Se houver sinais sistêmicos, celulite extensa ou comprometimento do estado geral, aí sim entram antibióticos sistêmicos como complemento. Por isso o gabarito é a alternativa A. A abertura dos pontos da pele e a ressecção dos tecidos desvitalizados fazem parte do manejo clássico da ferida infectada, porque tecido morto serve como “buffet livre” para bactéria. O desbridamento reduz carga infecciosa, melhora a drenagem e favorece a cicatrização. Já antibiótico venoso não é obrigatório em todo caso: ele depende da gravidade, da presença de sepse, celulite importante, envolvimento profundo ou sinais sistêmicos. Em infecção superficial sem repercussão sistêmica, o tratamento local pode ser suficiente em muitos casos. Oxigenação hiperbárica, dreno “sempre” e irrigação contínua com antissépticos também não são regras gerais. Em prova, lembre: infecção de ferida cirúrgica se trata com abrir, drenar e desbridar. O resto é extra, não receita de bolo universal.