Paciente de 39 anos com queixa de fluxo papilar espontâneo a esquerda, persistente há três meses. Ao exame físico, observa-se saída de secreção serossanguinolenta durante a dígitopressão da região periareolar (9 horas) da mama esquerda. Ausência de massas ou lesão cutânea. Assinale a opção que indica a conduta inicial.
- A)Citologia do fluxo papilar.
A citologia do fluxo papilar tem baixa sensibilidade e não deve ser o exame inicial para esse quadro.
- B)Mamografia e ultrassom de mamas e axilas.
Correta: a secreção papilar patológica deve ser investigada inicialmente com mamografia e ultrassonografia das mamas e axilas.
- C)Ressonância de mamas.
A ressonância pode ser complementar em casos selecionados, mas não é o primeiro exame na abordagem inicial.
- D)Exérese da unidade ducto lobular.
A exérese da unidade ducto lobular fica para situações selecionadas, geralmente após investigação por imagem ou quando a suspeita persiste.
- E)Orientação e observação clínica.
Observar sem investigar não é adequado quando a secreção é espontânea, unilateral e serossanguinolenta.
Gabarito: B
Secreção papilar pode ser um achado banal ou um sinal de alerta, e a chave é separar o que parece fisiológico do que é realmente suspeito. Em geral, fluxo bilateral, multiductal, associado a compressão e de aspecto lácteo ou esverdeado costuma apontar para causa benigna. Já o fluxo espontâneo, unilateral, persistente e, principalmente, serossanguinolento merece investigação por imagem como primeiro passo. Neste caso, a paciente tem 39 anos, saída espontânea à esquerda, persistente por meses e com aspecto serossanguinolento. Isso configura secreção papilar patológica até prova em contrário. Nessa situação, a conduta inicial não é sair pedindo citologia do líquido nem indicar cirurgia de início. O correto é investigar a mama com mamografia e ultrassonografia, porque esses exames podem mostrar lesões subjacentes, como papiloma intraductal, ectasia ductal ou até neoplasia. A mamografia ajuda a avaliar microcalcificações e alterações estruturais, e o ultrassom é muito útil em mamas mais densas e para localizar lesões retroareolares ou ductais. Se a imagem vier normal, mas a suspeita clínica continuar alta, aí sim outros passos podem entrar no jogo, como ressonância ou abordagem cirúrgica. Ou seja, primeiro você olha, depois você age - não o contrário. Por isso, o gabarito é a alternativa B. Esse é o raciocínio clássico em mastologia: secreção papilar patológica exige avaliação por imagem inicial, especialmente com mamografia e ultrassonografia, antes de qualquer decisão invasiva.