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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente de 39 anos com queixa de fluxo papilar espontâneo a esquerda, persistente há três meses. Ao exame físico, observa-se saída de secreção serossanguinolenta durante a dígitopressão da região periareolar (9 horas) da mama esquerda. Ausência de massas ou lesão cutânea. Assinale a opção que indica a conduta inicial.

Gabarito: B

Secreção papilar pode ser um achado banal ou um sinal de alerta, e a chave é separar o que parece fisiológico do que é realmente suspeito. Em geral, fluxo bilateral, multiductal, associado a compressão e de aspecto lácteo ou esverdeado costuma apontar para causa benigna. Já o fluxo espontâneo, unilateral, persistente e, principalmente, serossanguinolento merece investigação por imagem como primeiro passo. Neste caso, a paciente tem 39 anos, saída espontânea à esquerda, persistente por meses e com aspecto serossanguinolento. Isso configura secreção papilar patológica até prova em contrário. Nessa situação, a conduta inicial não é sair pedindo citologia do líquido nem indicar cirurgia de início. O correto é investigar a mama com mamografia e ultrassonografia, porque esses exames podem mostrar lesões subjacentes, como papiloma intraductal, ectasia ductal ou até neoplasia. A mamografia ajuda a avaliar microcalcificações e alterações estruturais, e o ultrassom é muito útil em mamas mais densas e para localizar lesões retroareolares ou ductais. Se a imagem vier normal, mas a suspeita clínica continuar alta, aí sim outros passos podem entrar no jogo, como ressonância ou abordagem cirúrgica. Ou seja, primeiro você olha, depois você age - não o contrário. Por isso, o gabarito é a alternativa B. Esse é o raciocínio clássico em mastologia: secreção papilar patológica exige avaliação por imagem inicial, especialmente com mamografia e ultrassonografia, antes de qualquer decisão invasiva.

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