Criança de 10 anos, apresenta espirros, prurido nasal e coriza hialina, principalmente pela manhã, quatro vezes por semana, há 3 meses, com prejuízo do sono e do rendimento escolar, devido aos sintomas noturnos causados pela congestão nasal. Refere piora dos sintomas devido à mudança climática e à exposição a poeira. Nega febre e outros sintomas associados. Mãe é asmática. Analisando o caso relatado, assinale a afirmativa correta.
- A)O diagnóstico será realizado através do teste cutâneo de leitura imediata e o resultado positivo para um alérgeno identifica o agente causal da rinite.
Errada: o teste cutâneo ajuda a identificar sensibilização, mas não fecha sozinho o agente causal nem substitui o diagnóstico clínico da rinite.
- B)A medida do pico de fluxo nasal (PFN) é importante no diagnóstico diferencial da rinite crônica.
Errada: pico de fluxo nasal não é exame consagrado para diagnóstico diferencial de rinite crônica na rotina.
- C)Medidas de controle ambiental como revestir colchões e travesseiros e a redução da umidade são simples, efetivas e apresentam forte evidência científica.
Errada: controle ambiental pode ajudar, mas revestir colchões/travesseiros e reduzir umidade não têm evidência forte e isoladamente não resolvem o quadro.
- D)A associação de antagonista dos receptores dos leucotrienos e anti-histamínico oral em um único medicamento é uma alternativa terapêutica.
Errada: a combinação de antagonista de leucotrienos com anti-histamínico oral não é a principal alternativa e tem papel limitado em rinite alérgica.
- E)O tratamento farmacológico de primeira escolha são os corticosteroides tópicos nasais.
Certa: corticosteroides tópicos nasais são a primeira escolha farmacológica na rinite alérgica persistente, sobretudo quando há obstrução nasal e prejuízo funcional.
Gabarito: E
O quadro descreve rinite alérgica persistente: sintomas nasais típicos (espirros, prurido, coriza hialina e obstrução), recorrência há meses, piora com poeira e mudança climática, além de impacto no sono e no desempenho escolar. Em criança, isso é bem sugestivo de processo alérgico, e não de infecção, já que não há febre nem secreção purulenta. Na prática, o diagnóstico é principalmente clínico, com apoio de história bem feita e, quando necessário, teste alérgico para identificar sensibilização. Mas o ponto mais cobrado aqui é o tratamento: se os sintomas são frequentes e já atrapalham a vida da criança, a primeira escolha farmacológica são os corticosteroides tópicos nasais, porque eles controlam melhor a inflamação da mucosa e a obstrução nasal. Os anti-histamínicos ajudam bastante nos espirros, prurido e coriza, mas costumam ser menos potentes para congestão nasal. Por isso, em rinite alérgica persistente com repercussão funcional, o spray nasal com corticoide entra como protagonista do tratamento, quase sempre com boa resposta quando usado corretamente. Em resumo: o caso tem cara de rinite alérgica persistente moderada a grave, e a medida farmacológica inicial mais efetiva é o corticoide intranasal. As diretrizes de alergia e rinite sustentam essa conduta como primeira linha para controle dos sintomas nasais e melhora da qualidade de vida.