Das doenças ulcerogranulomatosas em otorrinolaringologia, é correto afirmar que
- A)a hanseníase é causada pelo fungo M. leprae, podendo causar perfuração septal, lepromas nodulares e rinite atrófica.
Errada: hanseníase é causada por uma bactéria, o Mycobacterium leprae, e não por fungo, embora possa sim causar lesões nasais destrutivas como perfuração septal e rinite atrófica.
- B)a leishimaniose é uma doença crônica causada por um protozoário inoculado pelo inseto flebótomo e suas lesões são exclusivamente mucosas e precoces.
Errada: a leishmaniose é causada por protozoário transmitido pelo flebótomo, mas as lesões não são exclusivamente mucosas nem necessariamente precoces, podendo haver formas cutâneas e mucocutâneas.
- C)o rinoscleroma é a apresentação nasal da sífilis terciária.
Errada: rinoscleroma não é a forma nasal da sífilis terciária; trata-se de infecção crônica por Klebsiella rhinoscleromatis.
- D)a tuberculose laríngea é uma forma atípica da doença, em geral altamente contagiosa e secundária à tuberculose pulmonar.
Certa: a tuberculose laríngea costuma ser secundária à tuberculose pulmonar e é uma forma importante de disseminação, com potencial contagioso elevado pelas lesões laríngeas.
- E)o Paracoccidioides brasilienses e Actinomyces israelii são os fungos responsáveis respectivamente pela blastomicose e pela actinomicose.
Errada: a paracoccidioidomicose é causada por fungo, mas a actinomicose é causada por bactéria filamentosa, não por fungo, então a associação dos agentes está incorreta.
Gabarito: D
As doenças ulcerogranulomatosas em otorrinolaringologia são aquelas que podem gerar ulceração, infiltração e destruição de tecidos da via aérea superior, especialmente nariz, seios da face e laringe. Nessa turma entram entidades infecciosas clássicas como hanseníase, leishmaniose, rinoscleroma, tuberculose e algumas micoses sistêmicas, que gostam de “imitar” outras doenças e atrasar o diagnóstico. A alternativa correta é a D porque a tuberculose laríngea costuma ser secundária à tuberculose pulmonar e, em geral, é considerada uma forma grave e potencialmente muito contagiosa, já que as lesões laríngeas podem concentrar grande quantidade de bacilos e espalhá-los pela tosse e fala. Na prática, ela pode causar disfonia, odinofagia e ulcerações laríngeas, muitas vezes confundindo o quadro com câncer ou laringite crônica. As demais alternativas misturam agentes e conceitos. Hanseníase não é fungo, leishmaniose não fica só na mucosa e não é precoce, rinoscleroma não é sífilis terciária, e os agentes das micoses e da actinomicose foram trocados de forma capciosa. Em prova, esse tipo de questão adora brincar de “mistura de fichas”: troca o microrganismo, troca a fase da doença e pronto, a armadilha está montada. Na prática de concurso, guarde a lógica: doenças ulcerogranulomatosas em ORL costumam ter etiologia infecciosa específica, com apresentações destrutivas e diagnóstico diferencial amplo. O foco da banca aqui é reconhecer a associação correta entre tuberculose laríngea e tuberculose pulmonar prévia, além do caráter contagioso do comprometimento laríngeo.