Acerca da mielinólise pontinha central, complicação que ocorre na correção de hiponatremia, assinale a afirmativa incorreta.
- A)A ataxia é um sintoma comum.
Certa: ataxia pode ocorrer na mielinólise pontina central, junto com disartria, disfagia e fraqueza.
- B)A reposição de sódio não deve ultrapassar 10 – 12 mEq/L em 24 horas.
Certa: a correção da hiponatremia deve ser lenta, em geral sem ultrapassar 10 a 12 mEq/L em 24 horas.
- C)As manifestações clínicas aparecem em torno de 2 a 6 dias após a correção inadequada de sódio.
Certa: as manifestações costumam aparecer dias após a correção rápida, tipicamente entre 2 e 6 dias.
- D)Alguns distúrbios como queimaduras, insuficiência renal, linfoma favorecem o desenvolvimento da doença.
Certa: estados como queimaduras, insuficiência renal e linfoma podem aumentar o risco de desmielinização osmótica.
- E)Costuma acontecer pela ruptura da barreira hematoencefálica e passagem de anticorpos antimielina presentes na circulação.
Errada: o mecanismo não é autoimune nem por anticorpos antimielina, e sim por desmielinização osmótica após correção rápida do sódio.
Gabarito: E
A mielinólise pontina central, hoje muitas vezes chamada de síndrome da desmielinização osmótica, é uma complicação clássica da correção rápida da hiponatremia. O problema não é o sódio em si, mas a velocidade com que ele sobe: o cérebro, que se adapta à hipo-osmolaridade, fica vulnerável quando a correção vem depressa demais. Por isso, a regra prática é não aumentar o sódio sérico além de 10 a 12 mEq/L em 24 horas, especialmente em pacientes com maior risco. Quando a correção passa do ponto, podem surgir sintomas neurológicos alguns dias depois, em geral entre 2 e 6 dias, com quadro que pode incluir disartria, disfagia, tetraparesia e ataxia. A doença pode aparecer em situações que bagunçam bastante o equilíbrio osmótico, como queimaduras, insuficiência renal, hepatopatia, desnutrição e algumas neoplasias, entre outros contextos de maior vulnerabilidade. A ataxia é, sim, um achado possível e relativamente comum, então essa alternativa não é a “pegadinha” da vez. O erro da questão está em imaginar um mecanismo autoimune, com ruptura da barreira hematoencefálica e anticorpos antimielina circulantes. Isso não descreve a mielinólise pontina central. O mecanismo correto é lesão osmótica com desmielinização, principalmente por dano aos oligodendrócitos, após correção inadequada da hiponatremia.