Adolescente de 11 anos, do sexo feminino, foi levada pela mãe no ambulatório de Ortopedia, pois notou uma “corcova” nas costas da filha. A paciente não sentia dor e não tinha limitações. Ainda não tinha menstruado e ao exame físico apresentava ângulo de talhe aumentado à direita, e a manobra de Adams evidenciava giba torácica. O exame radiográfico apresentava uma curva torácica e uma curva lombar na incidência ântero-posterior ortostática, sem anomalias vertebrais. Em relação ao quadro apresentado, é correto afirmar que se trata de
- A)Hiperlordose.
Errada: hiperlordose é aumento da curvatura lombar anterior, sem explicar a giba e o desvio lateral descritos.
- B)Hipercifose.
Errada: hipercifose é aumento da curvatura no plano sagital, diferente do desvio lateral com rotação vertebral do caso.
- C)Escoliose.
Certa: o quadro clínico, a manobra de Adams e a radiografia com curvas torácica e lombar indicam escoliose.
- D)Doença de Scheuermann.
Errada: a doença de Scheuermann causa cifose torácica estrutural, geralmente com dor e alterações vertebrais típicas.
- E)Granuloma eosinofílico.
Errada: granuloma eosinofílico pode acometer a coluna, mas não produz o padrão clássico de escoliose idiopática descrito.
Gabarito: C
O quadro descrito é típico de escoliose. Pense nela como uma deformidade tridimensional da coluna, com desvio lateral no plano frontal, rotação vertebral e, por isso, a famosa giba torácica aparece na manobra de Adams. Aqui, a adolescente está na faixa etária clássica da escoliose idiopática do adolescente, que costuma surgir entre 10 e 18 anos, mais em meninas. O exame radiográfico confirma a suspeita: na incidência ântero-posterior ortostática há curva torácica e curva lombar, sem anomalias vertebrais. Isso aponta para escoliose estrutural, e não para um problema de postura apenas. A ausência de malformações também ajuda a afastar escolioses congênitas. O detalhe da menarca ainda não ter ocorrido reforça o contexto puberal em que a escoliose idiopática aparece e pode progredir. Na prática, o diagnóstico é clínico e radiológico, com avaliação do ângulo de Cobb para medir a curva e acompanhar evolução. Portanto, o gabarito é a alternativa C. Não é hipercifose, porque o problema principal aqui não é aumento da curvatura no plano sagital, e sim desvio lateral com rotação vertebral. Também não é doença de Scheuermann, que é uma cifose estrutural do adolescente, nem granuloma eosinofílico, que costuma ter outro padrão clínico e radiográfico.