A Doença Celíaca é uma enteropatia autoimune sensível ao glúten cuja prevalência aumentou significativamente nos últimos 20 anos. Em relação ao diagnóstico da Doença Celíaca, assinale a afirmativa correta.
- A)Os testes de tipificação do HLA têm um baixo valor preditivo negativo, e a ausência do HLA-DQ2/-DQ8 não exclui a presença de doença celíaca em indivíduos suscetíveis.
Errada, porque a ausência de HLA-DQ2/DQ8 tem alto valor preditivo negativo e praticamente afasta doença celíaca.
- B)Somente os parentes de primeiro grau sintomáticos devem ser triados para a doença celíaca.
Errada, porque parentes de primeiro grau devem ser rastreados mesmo que não tenham sintomas, devido ao risco aumentado.
- C)A atrofia vilositária é a lesão patognomônica para o diagnóstico de doença celíaca, não sendo encontrada em outras patologias.
Errada, porque a atrofia vilositária não é exclusiva da doença celíaca e pode aparecer em outras condições intestinais.
- D)O anticorpo antitransglutaminase tecidual IgA (anti-tTG) negativo isolado é suficiente para excluir o diagnóstico de Doença Celíaca.
Errada, porque anti-tTG IgA negativo isolado não exclui doença celíaca, especialmente se houver deficiência de IgA ou baixa exposição ao glúten.
- E)Anomalias vilositárias observadas nas biopsias intestinais juntamente com um teste sorológico positivo, é o critério diagnóstico padrão ouro para a doença celíaca.
Certa, porque a associação de biópsia intestinal com alterações vilositárias e sorologia positiva é o critério diagnóstico clássico usado na prática.
Gabarito: E
A Doença Celíaca é uma doença autoimune desencadeada pelo glúten, e o diagnóstico não deve ser feito com uma peça só do quebra-cabeça. Na prática, você pensa primeiro em suspeita clínica, depois em sorologia, e confirma com biópsia do intestino delgado quando indicado. Os exames mais usados são o anti-transglutaminase tecidual IgA e, em alguns casos, a dosagem de IgA total para não cair na armadilha da deficiência de IgA. O ponto central da questão é que a confirmação clássica envolve achados histológicos compatíveis na biópsia intestinal, como atrofia vilositária, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais, junto com sorologia positiva em paciente que esteja consumindo glúten. Esse conjunto é o que sustenta o diagnóstico na rotina clínica e é o que a banca quer quando fala em critério padrão-ouro de forma prática. Cuidado com as pegadinhas: HLA-DQ2/DQ8 ajuda mais a excluir do que a confirmar, porque a ausência desses alelos torna doença celíaca muito improvável. Também não dá para achar que uma sorologia negativa isolada encerra o assunto, porque ela pode falhar em situações como deficiência de IgA ou dieta sem glúten antes da testagem. Então, a alternativa E está correta porque descreve a combinação de biópsia intestinal com alterações vilositárias e teste sorológico positivo, que é o raciocínio diagnóstico clássico e aceito para doença celíaca.