Considere paciente de 46 anos, com diagnóstico de carcinoma tipo não especial grau 2, com receptor de hormônio negativo e HER-2 positivo com estágio clínico cT3cN1M0. A primeira abordagem terapêutica para o caso deve ser a de
- A)quimioterapia neoadjuvante com antraciclícos, taxanos e duplo bloqueio de HER-2 com trastuzumabe e pertuzumabe.
Correta: em HER-2 positivo localmente avançado, a primeira abordagem é neoadjuvante com quimioterapia e duplo bloqueio anti-HER-2.
- B)tratamento cirúrgico com mastectomia e esvaziamento axilar.
Incorreta: cirurgia de saída não é a primeira etapa quando há doença localmente avançada e indicação de tratamento sistêmico pré-operatório.
- C)quimioterapia neoadjuvante com antracíclicos, taxanos e traztuzumabe.
Incorreta: faltou o pertuzumabe, que é parte importante do duplo bloqueio anti-HER-2 no neoadjuvante de maior risco.
- D)quimioterapia neoadjuvante com antracíclicos e taxanos apenas.
Incorreta: quimioterapia isolada ignora o alvo biológico HER-2, o que reduz a adequação terapêutica neste cenário.
- E)radioterapia neoadjuvante
Incorreta: radioterapia não é tratamento neoadjuvante padrão para iniciar o manejo desse tipo de câncer de mama.
Gabarito: A
Em câncer de mama HER-2 positivo e localmente avançado, a regra prática é: antes de pensar em cortar, você costuma tratar para reduzir doença e testar resposta. Em tumores cT3cN1M0, especialmente quando o receptor hormonal é negativo, a conduta inicial preferida é a terapia neoadjuvante, porque melhora a chance de resposta patológica completa e orienta o tratamento depois da cirurgia. Como o tumor é HER-2 positivo, a quimioterapia não entra sozinha no jogo. O bloqueio anti-HER-2 com trastuzumabe deve fazer parte do esquema, e em doença de maior risco, como nesta situação com acometimento linfonodal, associa-se pertuzumabe no neoadjuvante. Isso está alinhado com as diretrizes oncológicas usuais para doença HER-2 positiva inicial/localmente avançada. Os antracíclicos e taxanos compõem a base citotóxica clássica, e o duplo bloqueio anti-HER-2 aumenta a chance de resposta antes da cirurgia. Depois, a cirurgia vem em seguida, ajustando-se o restante do tratamento conforme a resposta e o achado anatomopatológico. Ou seja, aqui a ordem dos fatores importa bastante, e a cirurgia não é a primeira jogada. Portanto, o gabarito é a alternativa A, porque ela descreve exatamente a estratégia padrão para esse perfil: quimioterapia neoadjuvante associada a trastuzumabe e pertuzumabe em tumor HER-2 positivo, receptor hormonal negativo e com doença localmente avançada.