Paciente com insuficiência renal crônica submetido a transplante de rim há 15 dias, apresenta quadro exantemático generalizado. Biópsia de pele corada por HE apresenta vacuolização da camada basal, espongiose e necrose celular individual, associada à infiltração de células mononucleares da derme superior. Assinale a opção compatível com o diagnóstico etiológico do quadro.
- A)Vasculite leucocitoclástica.
Errada: vasculite leucocitoclástica costuma mostrar extravasamento de hemácias, necrose fibrinoide e neutrófilos, não o padrão epitelial descrito.
- B)Doença Enxerto versus Hospedeiro, forma aguda.
Certa: o início precoce após o transplante e a histologia com vacuolização basal, espongiose e necrose de queratinócitos são típicos de DECH aguda.
- C)Doença Enxerto versus Hospedeiro, forma crônica, predominantemente liquenoide.
Errada: a forma crônica liquenoide ocorre mais tardiamente e tem aspecto mais parecido com líquen plano, não com quadro agudo pós-transplante.
- D)Doença Enxerto versus Hospedeiro, forma crônica, predominantemente esclerodermoide.
Errada: a forma crônica esclerodermoide é tardia e lembra esclerose cutânea, não o padrão inflamatório agudo da biópsia.
- E)Dermatite por ciclosporina.
Errada: ciclosporina pode causar efeitos adversos, mas não explica esse padrão histológico nem o quadro clássico de reação enxerto contra hospedeiro.
Gabarito: B
Depois do transplante, o sistema imune pode reagir contra o enxerto, mas também existe o movimento inverso: células imunocompetentes do doador podem atacar os tecidos do receptor. Isso é a doença enxerto versus hospedeiro (DECH), típica de transplante de medula, mas que pode ocorrer em transplantes de órgãos sólidos quando há bastante tecido linfoide transferido junto ou forte incompatibilidade imunológica. O quadro costuma surgir nas primeiras semanas e costuma envolver pele, fígado e intestino. Na pele, a biópsia da DECH aguda tem um padrão bem característico: vacuolização da camada basal, espongiose, necrose individual de queratinócitos e infiltrado mononuclear na derme superficial. Em outras palavras, a epiderme fica "machucada" por uma agressão imune mediada por linfócitos, e o microscópio ajuda bastante a fechar o raciocínio. O ponto-chave da questão é o tempo: 15 dias após o transplante é muito compatível com forma aguda, e não com as formas crônicas, que aparecem mais tarde e têm aspecto liquenoide ou esclerodermoide. Então, juntando timing + histologia, o diagnóstico etiológico apontado é DECH aguda. A banca gosta de misturar lesão cutânea inespecífica com padrão histológico de dermatites diferentes, então vale guardar a tríade da DECH aguda na pele: apoptose de queratinócitos, vacuolização basal e espongiose. Se aparecer isso logo após transplante, acenda a luz amarela imediatamente.