Paciente de 15 anos com TCE após acidente automobilístico, com Glasgow inicial menor que 8. Foi intubado e encaminhado à UTI, após avaliação do neurocirurgião. Assinale a opção que indica a medida que não se enquadra na proteção hipertensão intracraniana.
- A)Evitar hipertermia.
Correta: evitar hipertermia reduz o metabolismo cerebral e ajuda a limitar o aumento da pressão intracraniana.
- B)Manter PCO2 entre 35-40 mmHg.
Correta: manter a PCO2 em faixa normal evita vasodilatação cerebral por hipercapnia e reduz risco de aumentar a PIC.
- C)Manter glicemia maior que 150 mg.
Errada: glicemia acima de 150 mg/dL não é meta de proteção neurológica, pois hiperglicemia pode agravar a lesão cerebral secundária.
- D)Manter sódio sérico entre 150 e 155mEq/L.
Correta: a hipernatremia moderada pode ser usada para efeito osmótico e ajudar no controle da hipertensão intracraniana.
- E)Manter PIC menor que 20 e PPC entre 50 e 70 mmHg.
Correta: manter PIC baixa e PPC adequada é justamente o objetivo do manejo intensivo do TCE grave.
Gabarito: C
No TCE grave, a meta é evitar tudo que aumente o metabolismo cerebral ou piore a perfusão do cérebro. Por isso, medidas como controlar febre, manter ventilação sem hipercapnia e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos fazem parte da proteção contra hipertensão intracraniana. A lógica é simples: cérebro inchado não gosta de calor, excesso de CO2 nem oscilações bruscas de osmolaridade. Além disso, a monitorização de PIC e PPC ajuda a guiar o tratamento, buscando reduzir a pressão intracraniana e manter uma perfusão cerebral adequada. O gabarito é a letra C porque hiperglicemia não é alvo terapêutico e a conduta é evitar glicemia elevada, já que ela piora desfechos neurológicos e aumenta risco de lesão secundária; em geral, controla-se a glicemia, mas não se recomenda manter valores maiores que 150 mg/dL como meta protetora.