A estimulação direta do feixe de His tem sido encarada como uma alternativa ao uso de marca-passo ressincronizador biventricular para casos selecionados, promovendo ativação do sistema de condução cardíaco especializado, mais próxima da fisiológica do paciente. Durante o procedimento de implante do eletrodo, vários critérios são utilizados para diferenciar a captura seletiva da não-seletiva (ou para-Hissiana) do feixe de His. Entre as opções abaixo, assinale a que corresponde a um dos critérios para captura seletiva do feixe de His.
- A)QRS e onda T de aspecto distinto do sinusal.
Errada, porque na captura seletiva o QRS tende a manter ativação fisiológica via sistema His-Purkinje, sem necessidade de aspecto “distinto do sinusal” como regra.
- B)Intervalo entre estímulo e complexo QRS igual a intervalo HV.
Certa, porque na captura seletiva o tempo do estímulo até o QRS corresponde ao intervalo HV, indicando condução pelo sistema His-Purkinje.
- C)Alargamento do intervalo QRS com baixa amplitude de estimulação.
Errada, porque alargamento do QRS com baixa amplitude de estimulação sugere captura não seletiva ou miocárdica, não a seletiva.
- D)Ausência de intervalo isoelétrico entre estímulo e complexo QRS.
Errada, porque a ausência de intervalo isoelétrico entre estímulo e QRS é típica de captura não seletiva, com ativação direta do miocárdio.
- E)Presença de complexos de fusão.
Errada, porque complexos de fusão indicam mistura de ativações e apontam para captura não seletiva ou transição de captura, não para a seletiva.
Gabarito: B
A estimulação do feixe de His tenta reproduzir, de forma mais fisiológica, o caminho normal do impulso elétrico no coração. Por isso, durante o implante, o médico observa se o estímulo está capturando apenas o sistema de condução ou também o miocárdio ao redor. Na captura seletiva, o impulso percorre primeiro o feixe de His e depois ativa os ventrículos pelo sistema His-Purkinje, como acontece no batimento normal, sem “atalhos” miocárdicos importantes. O sinal clássico dessa captura seletiva é haver um intervalo entre o estímulo e o QRS que corresponde ao intervalo HV, isto é, o tempo de condução desde o feixe de His até a ativação ventricular. Em outras palavras, o marcapasso dispara, mas quem faz o trabalho de despolarizar os ventrículos é o sistema de condução distal, e não o próprio estímulo direto no músculo cardíaco. Já na captura não seletiva, o estímulo pega o feixe de His e o miocárdio adjacente ao mesmo tempo, o que costuma alterar o aspecto do QRS e eliminar a aparência tão “limpa” da condução fisiológica. Esse é justamente o tipo de detalhe que a FGV gosta de cobrar: a diferença está no traçado e no tempo de condução, não em pistas genéricas. Por isso, a alternativa B está correta: o intervalo entre o estímulo e o complexo QRS igual ao intervalo HV é um critério de captura seletiva do feixe de His. É um achado eletrofisiológico clássico, usado na prática para confirmar que a ativação ventricular está ocorrendo pela via normal do sistema de condução.