As facomatoses são doenças genéticas muito comuns em todas as populações humanas. A Neurofibromatose tipo 1 é a facomatose mais comum de todas. Uma paciente de 6 anos, com alta estatura, um sopro cardíaco ainda sem investigação por imagem, incontáveis lesões café com leite, neurofibromas cutâneos e subcutâneos em membros, tórax e face, que a família relata terem surgido ainda nos primeiros 2 anos de vida, com deficiência intelectual e macrocefalia, sem história familiar similar, é encaminhada para avaliação diagnóstica. Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
- A)A suspeita clínica é de uma síndrome de microdeleção 17q11.2, causadora de formas mais graves de neurofibromatose tipo 1.
Correta: a microdeleção 17q11.2 pode causar NF1 mais grave, com fenótipo mais intenso e início precoce.
- B)A suspeita clínica é de neurofibromatose tipo 1, e a deficiência intelectual é achado muito frequente na doença.
Errada: o caso sugere NF1, mas deficiência intelectual não é achado muito frequente na doença.
- C)Um caso com tamanha gravidade é compatível com schwannomatose.
Errada: schwannomatose não explica bem manchas café com leite, neurofibromas múltiplos e o conjunto fenotípico descrito.
- D)A evolução muito precoce sugere um quadro de neurofibromatose com puberdade precoce, com a produção inapropriada de hormônios sendo a causa da evolução, sendo uma associação comum.
Errada: puberdade precoce não é a explicação central do quadro e não é uma associação comum capaz de justificar esse fenótipo.
- E)O caso sugere a síndrome de Leopard, em sua forma grave, com herança autossômica recessiva.
Errada: síndrome de LEOPARD tem outro perfil clínico e não é classificada como herança autossômica recessiva.
Gabarito: A
A neurofibromatose tipo 1 (NF1) é uma facomatose autossômica dominante causada por mutações no gene NF1, no cromossomo 17q11.2, que codifica a neurofibromina. O quadro clássico inclui manchas café com leite, neurofibromas, sardas axilares/inguinais, nódulos de Lisch e risco aumentado de tumores do sistema nervoso e de outros sítios. Em geral, há grande variabilidade clínica, mesmo dentro da mesma família, e muitos casos surgem por mutação nova. Nesta paciente, a combinação de início muito precoce, lesões múltiplas e achados sistêmicos importantes sugere forma mais grave da doença. O ponto-chave da questão é a possibilidade de uma microdeleção 17q11.2, que envolve não só o gene NF1, mas regiões adjacentes. Esse mecanismo costuma cursar com fenótipo mais severo, com maior número de neurofibromas, macrocefalia, atraso do desenvolvimento e maior risco de complicações. É exatamente o tipo de apresentação que faz a banca querer que você pense em NF1 “mais pesada”, e não numa forma comum e leve da doença. A deficiência intelectual pode ocorrer na NF1, mas não é achado muito frequente a ponto de ser usada como regra geral. Portanto, a alternativa que afirma isso exagera e derrapa. Também é importante lembrar que schwannomatose não é o diagnóstico típico de criança com manchas café com leite e neurofibromas múltiplos, e síndrome de LEOPARD tem outro conjunto clínico, ligado sobretudo a lentiginose, alterações cardíacas e traços faciais específicos. Resumo prático para prova: quando a NF1 parece mais intensa, com início precoce, macrocefalia e comprometimento neurocognitivo, pense em microdeleção 17q11.2. A banca FGV costuma cobrar justamente essa correlação genótipo-fenótipo, pegando quem conhece a NF1 clássica, mas esquece das formas deletadas.