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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Os medicamentos moduladores da resposta imunológica representaram um grande avanço no tratamento das neoplasias malignas. As drogas anti-CTLA-4, anti-PD-1 e anti-PD-L1 estão aprovadas para uso em vários tumores sólidos e hematológicos, seja em combinação, seja associadas à quimioterapia, ou em monoterapia. Uma vez que o mecanismo de ação desses medicamentos contrasta com o dos quimioterápicos, foi desenvolvido um guideline específico para a avaliação de resposta ao tratamento, chamado de iRECIST, a ser utilizado como uma alternativa ao RECIST versão 1.1. A respeito dos critérios de avaliação das lesões tumorais em pacientes tratados com imunoterapia, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

A lógica do iRECIST nasceu para lidar com um problema bem conhecido da imunoterapia: a chamada pseudoprogressão. Em alguns pacientes, a lesão pode parecer aumentar no começo por infiltrado inflamatório, e só depois mostrar resposta de verdade. Por isso, o iRECIST não joga fora o RECIST 1.1, mas o adapta para interpretar melhor essa “bagunça inicial” sem sair marcando progressão definitiva cedo demais. O ponto central é que, quando aparece uma progressão inicial, ela pode ser classificada como iUPD (progressive disease não confirmada). Nessa fase, a equipe reavalia o paciente e a imagem em seguida, para confirmar ou não a progressão. Aqui entra o detalhe que a banca cobrou: o status clínico importa. Se o paciente está clinicamente estável, isso favorece manter o tratamento e repetir a avaliação, em vez de suspender tudo no primeiro susto radiológico. Por isso, a alternativa B está correta. O iRECIST incorpora a condição clínica do paciente como elemento de decisão após iUPD, justamente porque nem toda piora na imagem significa falha terapêutica imediata. Em outras palavras: na imunoterapia, a imagem às vezes “faz drama”, e o clínico precisa conferir se o paciente realmente piorou antes de decretar derrota. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos: PET-CT não é o método padrão para confirmar progressão no iRECIST; nova lesão continua sendo progressão a ser registrada; doença estável não vira progressão não confirmada; e a progressão ainda é um desfecho válido em estudos clínicos com imunoterapia.

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