Os medicamentos moduladores da resposta imunológica representaram um grande avanço no tratamento das neoplasias malignas. As drogas anti-CTLA-4, anti-PD-1 e anti-PD-L1 estão aprovadas para uso em vários tumores sólidos e hematológicos, seja em combinação, seja associadas à quimioterapia, ou em monoterapia. Uma vez que o mecanismo de ação desses medicamentos contrasta com o dos quimioterápicos, foi desenvolvido um guideline específico para a avaliação de resposta ao tratamento, chamado de iRECIST, a ser utilizado como uma alternativa ao RECIST versão 1.1. A respeito dos critérios de avaliação das lesões tumorais em pacientes tratados com imunoterapia, assinale a afirmativa correta.
- A)Ao contrário do que ocorre no RECIST 1.1, no iRECIST o PETCT deve ser utilizado para a confirmação de progressão tumoral.
Errada: o iRECIST não substitui o padrão de confirmação de progressão por PET-CT, mantendo a lógica baseada em reavaliação por imagem convencional e critério clínico.
- B)No iRECIST foi incorporado o status clínico, sendo que a estabilidade clínica é considerada, a fim de decidir se um tratamento deve ser continuado após a progressão não confirmada (iUPD).
Certa: o iRECIST considera o status clínico e a estabilidade do paciente para decidir se o tratamento deve seguir após uma iUPD.
- C)Da mesma forma que no RECIST 1.1, no iRECIST o surgimento de nova lesão é considerado progressão de doença e essa nova lesão precisa ser registrada, mas não mensurada.
Errada: o surgimento de nova lesão é sim um achado de progressão e deve ser registrado; a afirmação erra ao dizer que ela não é mensurada.
- D)Uma das maiores diferenças em relação à evolução da carga tumoral em tratamento com imunoterapia é que, ao contrário do que ocorre com a terapia citotóxica, a resposta ao tratamento ocorre mais precocemente. Por isso, a presença de doença estável com imunoterapia é classificada como progressão não confirmada (iUPD).
Errada: doença estável não é progressão não confirmada; iUPD ocorre diante de progressão inicial suspeita, não de estabilidade.
- E)Uma vez que os pacientes em tratamento com imunoterapia podem apresentar a chamada “pseudoprogressão” e também desenvolver efeitos adversos imunomediados, a progressão de doença não deve ser mais considerada na avaliação de desfecho em estudos clínicos com pacientes tratados exclusivamente com imunoterapia.
Errada: progressão de doença continua sendo desfecho relevante em estudos com imunoterapia, mesmo diante de pseudoprogressão e eventos imunomediados.
Gabarito: B
A lógica do iRECIST nasceu para lidar com um problema bem conhecido da imunoterapia: a chamada pseudoprogressão. Em alguns pacientes, a lesão pode parecer aumentar no começo por infiltrado inflamatório, e só depois mostrar resposta de verdade. Por isso, o iRECIST não joga fora o RECIST 1.1, mas o adapta para interpretar melhor essa “bagunça inicial” sem sair marcando progressão definitiva cedo demais. O ponto central é que, quando aparece uma progressão inicial, ela pode ser classificada como iUPD (progressive disease não confirmada). Nessa fase, a equipe reavalia o paciente e a imagem em seguida, para confirmar ou não a progressão. Aqui entra o detalhe que a banca cobrou: o status clínico importa. Se o paciente está clinicamente estável, isso favorece manter o tratamento e repetir a avaliação, em vez de suspender tudo no primeiro susto radiológico. Por isso, a alternativa B está correta. O iRECIST incorpora a condição clínica do paciente como elemento de decisão após iUPD, justamente porque nem toda piora na imagem significa falha terapêutica imediata. Em outras palavras: na imunoterapia, a imagem às vezes “faz drama”, e o clínico precisa conferir se o paciente realmente piorou antes de decretar derrota. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos: PET-CT não é o método padrão para confirmar progressão no iRECIST; nova lesão continua sendo progressão a ser registrada; doença estável não vira progressão não confirmada; e a progressão ainda é um desfecho válido em estudos clínicos com imunoterapia.