Um paciente é encaminhado para tratamento conservador de tenossinovite de DeQuervain pós-traumática seis meses após um acidente com veículo motorizado. Durante a avaliação, a localização da dor é observada 4 a 5 cm proximal ao estiloide radial, bem como na tabaqueira anatômica. O paciente tem teste de Finkelstein positivo, teste do carona (hitchhiker) negativo, teste de Watson negativo, grind test negativo, dor com resistência à extensão do punho, nenhuma sensibilidade superficial significativa na face dorsal do punho e nenhuma evidência radiográfica de fratura. Assinale a opção que indica o diagnóstico que pode ser indicado, além ou no lugar do DeQuervain.
- A)Não união do escafoide.
Errada, porque a não união do escafoide costuma cursar com dor mecânica e achados radiográficos, o que foi afastado no enunciado.
- B)Artrite da articulação trapézio-metacarpiana.
Errada, pois a artrite trapézio-metacarpiana daria dor na base do polegar e geralmente teria grind test positivo.
- C)Lesão do escafo semilunar (SL).
Errada, porque a lesão escafolunar costuma aparecer com Watson positivo e dor compatível com instabilidade do carpo.
- D)Síndrome de intersecção.
Certa, pois a síndrome de interseção causa dor 4 a 5 cm proximal ao estiloide radial e pode coexistir com quadro semelhante ao DeQuervain.
- E)Nenhuma das opções acima.
Errada, porque há um diagnóstico adicional bastante sugerido pelos achados clínicos, especialmente pela localização proximal da dor.
Gabarito: D
A tenossinovite de DeQuervain costuma dar dor na borda radial do punho, perto do estiloide radial, piorando com pinça e desvio ulnar passivo, e o teste de Finkelstein pode vir positivo. Ela envolve os tendões do 1º compartimento dorsal, principalmente abdutor longo e extensor curto do polegar. Mas dor por si só não fecha tudo: no trauma, é importante pensar em diagnósticos que imitam ou acompanham o quadro. Nesta questão, o detalhe que chama atenção é a dor localizada 4 a 5 cm proximal ao estiloide radial, além da dor na tabaqueira anatômica. Esse ponto mais proximal é bem típico da síndrome de interseção, que é uma tenossinovite por atrito na região em que os tendões do 1º compartimento dorsal cruzam com os do 2º compartimento. É quase um 'cruzamento mal resolvido' entre tendões: muita inflamação, crepitação e dor no dorso radial do antebraço distal. Os testes ajudam a separar as coisas. Finkelstein positivo aponta para DeQuervain, mas o teste do carona negativo, o Watson negativo e o grind test negativo reduzem a chance de lesão da articulação trapézio-metacarpiana ou instabilidade escafolunar. A ausência de fratura no raio-X também tira força de causas ósseas, como não união do escafoide. Em outras palavras, o quadro pode até coexistir com DeQuervain, mas a topografia da dor denuncia a síndrome de interseção. Então o gabarito é a letra D. Em provas de Ortopedia, a banca adora esse jogo de localização da dor: DeQuervain fica mais distal e na estiloide radial; a síndrome de interseção fica mais proximal, alguns centímetros acima. Se voce lembrar dessa diferença anatômica, já evita boa parte das pegadinhas.