Sobre o choque hemorrágico, assinale a afirmativa correta.
- A)No choque classe II, há aumento da frequência cardíaca, sem queda nas pressões de pulso e arterial;
Errada, porque no choque classe II já pode haver taquicardia com redução da pressão de pulso, embora a pressão arterial sistêmica ainda possa estar preservada.
- B)A acidose metabólica grave dos estados de choque persistente é tratada com reposição de fluidos, sangue e bicarbonato de sódio;
Errada, porque a acidose melhora principalmente com reposição de volume, hemostasia e correção da perfusão, não sendo indicação rotineira de bicarbonato de sódio.
- C)A reposição volêmica no trauma abdominal penetrante pode ser menos agressiva, permitindo estados de hipotensão controlada;
Certa, pois no trauma penetrante com hemorragia não controlada pode-se adotar reposição mais restritiva, aceitando hipotensão permissiva até o controle definitivo do sangramento.
- D)O débito urinário é um indicador menos sensível de resposta à reposição volêmica do que a frequência cardíaca e a pressão arterial sistêmica;
Errada, porque o débito urinário é um parâmetro importante e sensível de perfusão e resposta à ressuscitação, muito usado na avaliação do choque.
- E)No choque grau III há necessidade de hemotransfusão, que é prioritária em relação ao controle da hemorragia.
Errada, porque no choque grau III a hemotransfusão pode ser necessária, mas o controle da hemorragia é prioridade, e não a transfusão isoladamente.
Gabarito: C
No choque hemorrágico, o problema central é a perda de volume circulante por sangramento, então a prioridade é reconhecer precocemente a hipoperfusão e controlar a fonte do sangramento. Em geral, quanto mais o choque avança, mais aparecem taquicardia, queda da pressão arterial, piora do débito urinário e alteração do nível de consciência. A resposta ao soro pode até existir no começo, mas não pode virar desculpa para seguir enchendo o paciente sem parar enquanto a hemorragia continua. A lógica do atendimento ao trauma, como ensinada em protocolos tipo ATLS, é: controlar a hemorragia e repor volume de forma estratégica, muitas vezes com sangue e hemoderivados quando necessário. Em alguns cenários, especialmente no trauma penetrante com sangramento ainda não controlado, aceita-se uma reposição volêmica menos agressiva, para evitar aumentar demais a pressão e descolar coágulos que estão ajudando a conter o sangramento. Isso é o raciocínio da chamada hipotensão permissiva ou controlada. Por isso, a alternativa C está correta: no trauma abdominal penetrante, a reposição volêmica pode ser menos agressiva, permitindo hipotensão controlada até que o controle definitivo da hemorragia seja feito. Não é “deixar o paciente largado”, mas sim evitar excesso de fluidos antes da hemostasia. Em prova, a banca costuma cobrar justamente essa ideia de prioridade do controle do sangramento sobre a simples normalização dos números. As demais alternativas misturam conceitos: sinais vitais, diurese, bicarbonato e transfusão não funcionam do jeito simplificado que o item sugere. No choque hemorrágico, o tratamento não é só “dar volume”, e também não é transfundir primeiro e pensar depois no sangramento. A ordem certa é reconhecer, conter e reanimar com critério.